16 junho 2008
14 junho 2008
10 junho 2008
04 junho 2008
"As mulheres são putas assassinas, Max, são macacos enregelados de frio que contemplam de uma árvore doente o horizonte, são princesas que procuram você na escuridão, chorando, indagando as palavras que nunca poderão dizer"
Trecho do conto "Putas Assassinas", que dá nome ao livro de Roberto Bolaño
01 junho 2008
Agora clique aqui e saiba qual foi a #1 no dia em que você nasceu!
28 maio 2008
27 maio 2008
jazz e blues II*
Mas o festival foi além do violino de Regina Carter e das guitarras de Russel Malone, John Mayall & The Bluesbreakers, James “Blood” Ulmer, Vernon Reid e John Scofield. Foram 18 atrações e 25 shows em cinco dias, uma maratona de improvisações jazzísticas, bluesmen empolgados, artistas encantados com o público e platéia enlouquecida em apresentações gratuitas.
A maior supresa veio de New Orleans (EUA), terra do blues, com uma proposta de renovação do estilo. Como uma tropa de choque postada à frente do palco, a linha de quatro trombones do Bonerama, com o suporte de bateria, guitarra e uma tuba, deu um show de energia passeando por músicas tradicionais, inéditas e releituras de “The Wizard”, do Black Sabbathe, e “The Ocean”, do Led Zeppelin, dois dos riffs mais conhecidos do rock’n’roll.
“New Orleans é ótimas! E está ficando melhor!”, disse Craig Klein, um dos líderes do Bonerama, no palco da Praia da Tartaruga na sexta-feira à tarde, para uma platéia surpresa com as distorções de um trombone eletrificado. Em seu instrumento, um adesivo dizia “ReNew Orleans” (trocadilho com renove New Orleans).
O pai do blues britânico John Mayall, 73 anos, à frente da banda The Bluesbreakers, era sem dúvida a atração mais aguardada. Mas seu show esteve longe de ser o melhor. O músico se irritou com um teclado misteriosamente desprogramado e o que se viu foram momentos de tensão resolvidos sob o olhar angustiado dos fãs. Com Mayall longe da guitarra, quem se destacou foi Buddy Whittington.
John Scofield, por sua vez, abriu o show com “House of the Rising Sun”, um blues tradicional gravado por vários artistas (Bob Dylan, entre eles, em 1962), que está presente em seu “This Meets That” (2007), disco no qual baseou a maior parte do repertório dos dois shows.
Acompanhado por baixo elétrico (do aclamado Steve Swallow), bateria e um trio de metais, Scofield fez um show extremamente técnico e introspectivo que fez apenas uma concessão ao público: “(I Can't Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, que fecha seu mais recente lançamento. No encerramento do festival, domingo à tarde, Scofield tocou para uma platéia distante, impedida de se aproximar do palco da Praia da Tartaruga pela maré alta.
“The master of disaster!”, anuncia Vernon Reid, guitarrista do Living Colour. E só então James “Blood” Ulmer sobe ao palco de Costazul, no sábado à noite, para, sentado em uma cadeira, executar clássicos do blues com o dedilhado mais cool do festival. Um dos poucos e grandes nomes da guitarra na vertente conhecida como free jazz, Ulmer tem se dedicado ao blues elétrico moderno nos últimos anos.
Em duas apresentações, Ulmer executou em sua guitarra canções clássicas de Willie Dixon, John Lee Hooker e Muddy Watters, do disco “Memphis Blood: The Sun Sessions” (2001). O álbum foi produzido por Reid, daí a explicação para sua participação especial. Sem a rigidez dos protocolos, o guitarrista fez o melhor show do festival na Lagoa de Iriry, domingo à tarde, com solos de guitarra desconcertantes e refrões cantados a plenos pulmões.
*sem a edição do Caderno2 de hoje.
23 maio 2008
jazz e blues I
19 maio 2008
18 maio 2008
12 maio 2008
17 abril 2008
Maior produtor cultural da Capital, pela marginalidade dos eventos que organiza, sempre no alto do morro onde vive, longe dos centros consagrados da cultura na cidade, Raimundo não se rendeu aos cargos públicos, aos eventos pagos em espaços públicos, às ongs e associações montados apenas para arrecadar patrocínios.
Continua vivendo no morro, procurando um novo lugar para o seu bar ("de onde se possa avistar a cidade"), organizando seus festivais de música que movimentam a cidade e trabalhando como pedreiro para se manter.
07 abril 2008
expurga o que?
"Mas que saudade que me deu, pequenaDe letra ingênua em sua declaração de amor e um violão dedilhado, simples assim. Fez recordar, pelo jeito de cantar, Hermes de Aquino, compositor-de-um-hit-só, a linda Nuvem Passageira.
de namorar
Ver o luar no brilho branco do seu riso
que é de me cegar"
Fê faz parte de um movimento chamado Expurgação, sem compromisso com a técnica e de inspiração hippie futurista. O manifesto do grupo está publicado em um blog, onde tentam se definir.
"Somos um grupo de amigos vivendo em algum canto do mapa. Assim como você, vivemos nossas loucuras e angústias. Vivemos num mundo de explosão tecnológica e vemos os valores de nossos pais caindo por terra abaixo. Num lugar onde nada faz sentido, onde nossas dúvidas só aumentam a cada passo que damos, negamos a impotência que nos é relegada e tentamos dar nosso último suspiro, a cada dia que se passa. Num momento em que tudo o que fazemos é ensaiar o caos e inverter valores, a não-dualidade toma forma (de alguma foma) através da informação que flui pelas nossas cabeças."Fê Paschoal toca na Ufes nesta quinta, acompanhado de sua banda, Os Expurgadores, depois das 20h, no Auditório do IC2.
27 março 2008
#1 Paranoid Park, do Gus Van Sant, é um filme genial. Superior a Elefante, talvez até a Últimos Dias, que eu ainda vou rever.
#2 O Moquecada
21 fevereiro 2008
féretro
Já parou pra pensar que a morte rende ótimos filmes, livros, músicas? Rende até lindos textos jornalísticos como esse (primeiro páragrafo) de Willian Vieira, da seção de obituários da Folha de S. Paulo de hoje (21/02).
Ou esse aqui: "'O negócio dela era ganhar dinheiro para se transformar', diz a família, pasma com o fim brusco da odisséia particular de Thesca -que deixou Teresina para se travestir em São Paulo, implantou silicone em busca do corpo perfeito e morreu sem realizar seu sonho italiano.", do mesmo autor, na mesma parte do jornal de ontem (20/02).
Isso é coisa de artista! Tanto que a Companhia das Letras publicou há pouco tempo "O Livro das Vidas", com textos da seção de obituários do The New York Times. Gay Talese já tinha escrito um artigo intitulado "Sr. Má Notícia", sobre o repórter responsável pelos textos. No Brasil, a prática é pouco comum, acho que só a Folha pratica.
adendo #1 A Revista Piauí fez um perfil do obituarista da Folha na edição de fevereiro, chamado "A Logística de Fazer um Morto", é só clicar e ler. Pros preguiçosos, ele tem só 23 anos e está há pouco mais de 3 meses no cargo.
adendo #2 Não resisti e copiei mais um trecho: "Um raio caíra sobre Polaco, que morreu naquele fatídico sábado, aos 41. Quem o conhecia diria que 'morreu fazendo o que gostava'."
#2 as coisas claramente não estão indo bem quando, em menos de duas semanas, você estraga sua cabeça em um ar-condicionado e leva três pontos, e em seguida quase quebram seu nariz com uma braçada involuntária no que deveria ser apenas mais uma linda jogada cuja única conclusão aceitável seria o gol.
01 fevereiro 2008
o que tomaram sem você perceber. o que, depois de muito insisitirem, levaram com seu consentimento. aquela bolsa bonita do festival de cinema. um creme de cabelo idiota. o que deu com alegria. o que ganhou sem pedir. o vidro com uma mecha de cabelo amarrado em laço de fita. as cartas, os bilhetes de bom dia. a marca do batom no espelho do banheiro. o gosto do bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
31 janeiro 2008
#1 Juno é o Pequena Miss Sunshine da temporada 2008.
17 janeiro 2008
14 janeiro 2008
#2 depois de mais um show do Dead Fish, afirmar que o hardcore, na forma como ele é hoje, foi forjado no Espírito Santo nos últimos 17 anos é mais sensato do que procurar evidências de que a bossa nova nasceu aqui.
10 janeiro 2008
06 janeiro 2008
Só pra deixar claro, a Internet também presta incalculáveis serviços. A culpa é das mulheres que não vão aos encontros marcados.
31 dezembro 2007
em construção
Quanto às oportunidades, não gostava de perdê-las, embora não se esforçasse muito para criá-las. Surgiam na forma que ele sonhasse. Não da noite para o dia, mas no tempo certo dos desejos que aparecem de estalo e se tornam mais agudos à medida que crescem esquecidos, despertados vez ou outra por uma lembrança singela ou voluptuosa.
Após cada decisão, o ritual incluía, ao fim, pedidos de perdão. A si mesmo e aos outros, como forma de se desculpar pelo que acabara de fazer. Era assim que navegava, aproveitando gratuitamente a velocidade dos ventos, sem oferecer nada em troca, e elaborando justificativas aos deuses por esta contabilidade vantajosa. Tanto que se acostumou e com o tempo passou a se culpar cada vez menos, tirando o máximo proveito do que os meios lhe ofereciam.
"Estão separados?" "Não exatamente. Ninguém se separa, Rímini. As pessoas se abandonam. Essa é a verdade, a verdade verdadeira. O amor pode até ser recíproco, mas o fim do amor não, nunca. Os siameses se separam. Mas não se separam, tampouco: porque sozinhos não conseguem. Um terceiro precisa separá-los: um cirurgião, que corta pelo meio o órgão ou o membro ou a membrana que os une com um bisturi e derrama sangue e na maioria das vezes, diga-se de passagem, mata, mata um deles, pelo menos, e condena o outro, o sobrevivente, a uma espécie de luto eterno, porque a parte do corpo pela qual estava unido ao outro fica sensibilizada e dói, dói sempre, e se encarrega de lembrá-lo, sempre, de que não está nem nunca vai estar completo, que isso que lhe tiraram nunca mais poderá ter de novo."
Sofía, em O Passado, o livro/filme que provoca em mim as piores recaídas.
25 dezembro 2007
mas ainda é melhor que roupa!
23 dezembro 2007
espírito natalino
#2 manhuaçu é assim, você pode dormir de edredon na primeira noite de verão.
#3 poucas pessoas no mundo têm o poder de me fazer comprar um guarda-chuva de 50 reais.
10 dezembro 2007
The Police
Do Caderno Dois de hoje.
The Police para quem precisa
Está tudo ali. A fusão de ska e rock, Sting com sua dancinha característica e seus agudos inconfundíveis, Andy Summers discreta e elegantemente explorando sua guitarra, e Stewart Copeland que 24 anos após a última turnê se dedica à bateria com a mesma energia e aquelas luvinhas de sempre. Todos os elementos que fizeram do The Police uma das bandas mais importantes da história da música.
E os 74 mil que estão no Maracanã na noite quente de sábado mal podem esperar. A abertura a cargo dos Paralamas do Sucesso, filhote brasileiro do Police, serve para lembrar que os anos 80 estão logo ali, no camarim.
No gramado, antes do show, um grupo de homens e mulheres com idade para ter visto a banda antes do fim prematuro, em 1984, gasta o tempo jogando Detetive, aquele de matar com uma piscadela sem ser descoberto pelos policiais. Dois amigos que se formaram juntos na escola do exército, um deles com o filho que nasceu bem depois do Police tocar pela primeira e única vez no Brasil, em 1982, se encontram e marcam de tomar um chopp pra lembrar os velhos tempos.
A ansiedade se torna euforia quando, em alto e bom som, Bob Marley entoa “Get Up, Stand Up”. É a deixa para o trio entrar no palco e soltar logo de cara “Message in a Bottle”, empolgante como sempre, no volume ideal para todo o estádio ouvir. Em seguida, com “Synchronicity II” cinco telões de alta definição sintonizam os três senhores de cabeleira amarela, outra marca registrada da banda.
Só antes de “Walking on the Moon”, Sting conversa com o público. “Que Saudade. Querem cantar comigo?”, ele diz, em português. E depois pede que o público mostre as mãos em “Voices Inside My Head”, canção pouco conhecida que ganhou, no show, um solo gigantesco de Andy Summers, contrariando a estética do “menos é mais” cuja bandeira a banda erguia mais de 24 anos antes.
“Don´t Stand so Close to Me” voltou a trazer o trio para junto do público, antes de uma seqüência de músicas com andamento lento e pouco apreço popular que só foi quebrada três músicas depois com “Every Little Thing She Does is Magic” e com “De do do do De da da da”. Mais adiante, “Invisible Sun” era ilustrada, nos telões, por fotografias de crianças vítimas da pobreza e das guerras.
Em “Walking on your footsteps”, Sting usa uma flauta indígena e Copeland sai da bateria para tocar percussão e xilofone. Mas o exotismo pára por aí: em uma seqüência final com seis hits executados com firmeza a multidão tem a certeza de que presenciou um capítulo marcante da história da música. “Roxanne” é aclamada enquanto o palco é tingido de vermelho. “Every Breath You Take” é cantada por todos. “Next You”, e sua força incrível, é o final perfeito para um concerto de rock’n’roll.
08 dezembro 2007
2014 que nada.
menos ainda quando seu acesso para o campo se dá por um dos túneis, saindo de dentro da terra para ver à sua volta as arquibancadas lotadas em um fim de tarde carioca.
agora escrevo de um vestiário, pisando a grama sintética onde alguns caras bem mais dentuços e ricos do que eu já ensaiaram e a única certeza que eu tenho é a de que nenhum jogador de futebol tem celular Claro, porque aqui eles não funcionam!
depois eu conto o resto.
20 novembro 2007
#1 descobre que uma nova amiga tem um roteiro de um pornô-lírico-colaborativo de 15 minutos.
#2 descobre que um velho amigo tem um roteiro para um longa sobre a juventude do início do século XXI (baseado na sua turma de amigos e em algumas brincadeiras bem típicas).
#3 se descobre rabiscando idéias e imaginando cenas de, pelo menos, três documentários diferentes. E, é claro, sem saber como vai realizá-los.
30 outubro 2007
A novidade é que, como se não bastasse a cantora ter sentado no Abertura na noite anterior, na segunda-feira pela manhã o tradutor dela ligou para duas fãs convidando para um passeio. Na van do festival, às 10h30, elas foram à Praia da Costa, depois almoçaram moqueca capixaba e ainda tiveram tempo para fazer compras em um brechó.
29 outubro 2007
Os três são personagens errantes, que se tornam solitários devido a relacionamentos fracassados. Suas carreiras sofrem altos e baixos, parece que sua arte é volátil como a memória humana. O jogo de cintura para encarar palavras e expressões idiomáticas, em russo, francês, japonês ou inglês, contrasta com a falta de tato nos amores.
Daí que realmente parece mais fácil entender russo do que saber ler uma mulher.
Killers no Tim Festival
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
O teclado armado na frente do palco, enfeitado com luzes e flores, funciona como um púlpito. Brandon Flowers é o pastor que conduz os fiéis a emoções extremas, do transe introspectivo à catarse enérgica. Ele é a autoridade máxima, a quem cabe dar boas-vindas e manter a harmonia em Sam´s Town, o lugar criado para que os Killers convertam o público ao seu rock’n’roll de sonoridade oitentista.
O culto começa efervescente. A banda oferece os melhores sermões de seus dois discos (“Hot Fuss” e “Sam´s Town”) em uma seqüência que parece interminável. São sete motivos para o público que lota o palco principal na noite de sábado do Tim Festival no Rio não ficar parado. Da música tema a “Jenny Was a Friend of Mine”, passando pela energia de “Bones” e “Somebody Told Me”.
Flowers se emociona quando canta “Read My Mind”, com seu romantismo deslavado que remete a U2. Ainda há tempo para o clímax, com “Mr. Brightside”. E, no final, os fiéis se lembrarão do que Flowers cantou, acompanhado apenas pelo órgão, em “Enterlude”, no início do show: “We hope you enjoy your stay / And it´s good to have you with us / Even if it´s just for the day”.
A energia que os Killers gastaram no sábado só se compara ao espetáculo de Björk na noite de sexta, no mesmo palco. Juliette Lewis e sua banda, os Licks, que abriram para The Killers, até tentaram: a atriz de “Assassinos por Natureza” mostrou disposição em seu rock’n’roll pesado. No final da apresentação, depois da cena manjada em que o astro do rock se enrola na bandeira do Brasil, ela se jogou nos braços da platéia.
Björk não precisou de tanto. A cenografia com flâmulas e estandartes ilustrava o cenário com peixes, anfíbios, répteis e aves. A evolução da espécie humana estava ali, em carne e osso, envolvendo a platéia com sua música eletrônica, sem exageros vocais. Destaque para “Hunter”, “Pagan Poetry” e “Declare Independence”, de seu último disco.
Já os Arctic Monkeys, última atração do palco principal na sexta e grande trunfo do novo rock, mostraram frieza e não surpreenderam. Rock simples e direto, com as guitarras dançantes de “Brianstorm”, “D is for Dangerous”, “Fluorescent Adolescent” e “I Bet You Look Good on the Dancefloor”.
25 setembro 2007
música como companheira
ouvi o disco no carro de alguém e não consegui parar de escutar durante alguns meses. Ainda não havia Napster e na minha casa não tinha MTV. Meu maior desafio era decorar a letra de Diário de um Detento, sem saber que existia um clipe que ganhava prêmios. As lendas que rondavam a figura do Mano Brown eu só fui conhecer alguns anos depois, mas só me prendi mesmo ao lance de se preservar em relação à cobrança da mídia.
ao contrário de todos os textos que lia sobre a banda e o letrista, elevando Racionais à categoria de referência para os pobres e Mano Brown à de líder revolucionário, nunca depositei na música feita por eles esperanças de resolver os problemas. É arte, pura e simplesmente. Há o discurso, mas com o passar dos anos e dos discos, e o próprio líder admite, o radicalismo arrefeceu, dando lugar a uma postura de aceitação a todo tipo de posicionamento ("Discurso é corda para se enforcar").
o que não significa esvaziamento de conteúdo. Acho a atitude de valorização do "eu" - de que cada "mano" é um indivíduo que deve buscar em si mesmo, e não em exemplos maiores, seu diferencial e seus talentos - madura e honesta. Mano Brown se esquiva com razão e bom senso da figura de herói e "bom exemplo" ("Eu sou eu").
cinco anos depois do pirata de camelô no interior de Minas, "Nada Como Um Dia Após o Outro Dia" eu comprei original, numa loja em Guarapari. R$ 23,90. duplo. preço honesto.
#1 tudo isso pra falar da entrevista do cara no Roda Viva, agora há pouco. Inseguro no início, à vontade a ponto de sorrir do meio do programa em diante, Mano Brown revelou, durante pouco mais de uma hora e meia, suas idéias e suas contradições ("As contradições só acabam quando morre").
chamou os traficantes de comerciantes. Igualou a cachaça 51 à maconha e os traficantes aos donos da Ambev. Deixou claro seu descrédito quanto à classe média, que ele chamou de finada. E, acima de tudo, reafirmou sua arte e sua humildade ("Eu sou um cidadão. Não sou líder de nada").
20 setembro 2007
#2 Ainda no guarda-volumes, compartilhei com o vigia a minha obsessão por um Rainha Iate.
_ Onde o senhor comprou esse tênis?
_ Rapaz, não acha mais. Mas tenho um amigo, numa loja, eu ligo e ele guarda pra mim quando aparece. Trinta e nove e noventa. Eu gosto de usar para trabalhar e dirigir. Acelero até com esse aqui.
E mostra o tênis preto, já meio gasto.
_ Quando você voltar passa aqui que a gente vai lá na loja e compra.
Vou passar, seu Antônio, vou passar.
#3 Na sala de embarque de Confins tem uma Istoé largada numa mesinha entre as cadeiras. A manchete na capa? "Oh, Meu Deus! Vira, vira, vira!".
Todo mundo que passa vê e franze a testa. Olha pro lado pra se certificar de que não é um brincadeira, mas não encosta a mão.
14 setembro 2007
metro goldwyn mayer
Imagina como seria legal aquela voz metálica dizendo no subsolo coisas como: estaçããão lama, e você sairia do subsolo e teria à sua frente nada mais que todos os seus amigos no Cochicho depois de um dia de trabalho desgastante.
E aí, se quisesse ir ao Centro, poderia optar pelas paradas praça oito, onde sairia de um dos lados do relógio; moscoso, e aí teria à sua frente os sobrados decaídos, da antiga zona de prostituição; ou vila rubim, que nos dias posteriores à semana santa emanaria um cheiro inigualável de palmito em decomposição.
Caso se estendesse para os municípios vizinhos, os nomes poderiam ser ainda mais lúdicos. levando em conta uma inusitada passagem submarina, seríamos brindados com uma estação azteca (em Vila Velha), ou uma roda d'água, em Cariacica.
22 agosto 2007
falei de uma casa no alto de um morro, onde embaixo passava um rio caudoloso. fazia frio. lá eu andei a cavalo, coisa rara. esse lugar existe e fica no interior de Minas, num sítio que visitei mais ou menos em 1999.
se chama Sem Peixe e lembro que o nome da cidade me marcou tanto quanto a beleza da roça, o contraste entre o verde do pasto e o marrom das águas de um afluente do Rio Doce que naquela parte não oferecia muita pesca. só fui entender o que aquele pedaço de chão significou pra mim uns anos mais tarde e agora me deparo com a notícia: "Sem Peixe tem o 1º homicídio em 10 anos".
o sítio deve continuar o mesmo, no mesmo lugar. o rio talvez esteja um pouco menos caudoloso, assoreado e seco. talvez não faça mais tanto frio e a cidade vai estar mudada quando eu voltar.
10 agosto 2007
acústicuzinho
José Ramos Tinhorão disse na Folha: "Pessoas inteligentes não falam sobre Sandy e Júnior". Eu diria que pessoas minimamente criteriosas falam que o disco é realmente ruim e que o Marcelo Camelo deu o primeiro passo em falso depois do fim do Los Hermanos.
08 agosto 2007
palco
São treze atores em palco, encenando dramas contemporâneos travestidos de metáfora bíblica, ou o contráio: a última ceia numa cidade portuguesa do século XXI. A opção pelo vocabulário e pelo sotaque portugueses é admirável, não compromete a compreensão dos diálogos e faz coro com autores como José Saramago, que não permite que seus livros sejam "traduzidos" ao "brasileiro".
Outro ponto legal é a revitalização do Teatro Edith Bulhões, espaço bacana também para festas, exibições de filmes e shows.
#1 Em comparação, "Uma Temporada no Inferno", de Wilson Coelho, que esteve em cartaz recentemente no Teatro Galpão, é uma encenação lamentável, exceto pelo ator principal, Maurício Fuziyama, que manda muito bem. Bizarramente, diretor e atores, depois de discurso, ainda convocam os espectadores a discutir a peça no final da apresentação. Constrangedor.
04 agosto 2007
jornalismo capixaba
desenvolvimento: apresentados enredo e personagens, dá-se o drama. ontem a tribuna escondeu o "herói nacional" e a família em um hotel da praia de camburi até ele embarcar num vôo para são paulo, onde gravaria uma participação no domingo legal, do gugu.
epílogo: foto na capa da gazeta da família do menino arremessado. foto na capa da tribuna do engraxate abraçando criancinhas no aeroporto de vitória.

17 julho 2007
#1
_ Ei, tudo bem? Me passa seu msn pra gente conversar?
_ E por que a gente não conversa aqui?
_ (...)
#2
_ Sabia que a gente compartilha várias bandas e que nossa compatibilidade musical é Super?
_ ??!!??
#3
_ Oi. Não vai mais atualizar seu fotolog?
_ Pretendo.
_ Legal. Vou comentar...
_ (...)
14 julho 2007
Imaginou uma mão morena, as unhas sem tinta, o pulso magro. e foi subindo até crer que os cabelos eram lisos e não desciam mais que a altura dos ombros, que o nariz era fino e os lábios, quase imperceptíveis entre duas bochechas macias.
o ônibus seguiu chacoalhando por mais hora e meia. parou quando ele devia descer. foi embora sem precisar olhar para o rosto que identificava o corpo que tinha a mão que o acolheu.
05 julho 2007
"My Adidas cuts the sand of a foreign land
with mic in hand I cold took command
my Adidas and me both askin P
we make a good team my Adidas and me
we get around together, rhyme forever
and we won't be mad when worn in bad weather
My Adidas..
My Adidas..
My Adidas"
homenagem a Run DMC e à sagacidade dos modelos adidas originals!
25 maio 2007
...deixa de comprar um disco de samba para investir o mesmo valor em uma tábua de passar roupas.
ou talvez seja só um ato falho.
06 maio 2007
definitivamente perdemos a sensibilidade.
ou vão me chamar de romântico?
01 maio 2007
durou pouco tempo minha memória dos seus gestos.
08 março 2007
hoje fui homenageado, ainda que de forma rápida e com uma característica inesperada. uma amiga cronista me fez personagem e me definiu como aquele que "entende de canaletas e de como misteriosamente os fios entram lá, perfeitamente conduzidos por seus canutilhos". Tá. Isso ajudou a salvar alguma coisa do dia que descia pelo ralo.
talvez seja uma forma de se destacar na contemporaneidade: pregando canaletas, instalando apetrechos com uma furadeira emprestada, desentupindo pias ou matando baratas. talvez eu chegue lá um dia!
18 dezembro 2006
não é esse o espírito? o sério é que a cbn é a maior entusiasta desse novo modo de fazer negócios. em um sábado à tarde escutei nesta emissora, durante mais de uma hora, um debate informal entre três "especialistas" que pesavam os prós e os contras de dois tipos de investimento, ambos em alta nos últimos anos: o mercado de ações e a pizzaria com o cunhado. foi esclarecedor!
08 dezembro 2006
30 novembro 2006
acordei sufocado e perdi o resto do pouco sono que tinha conseguido juntar naquela noite.
29 novembro 2006
ele chorou enquanto davam o último nó na corda que prendia seu punho, mas era tarde. admitiu todos os pecados, suas luxúrias e manias de grandeza. queria ser completo, queria ser um deus.
morreu ardendo na fogueira. naquele domingo. naquele novembro.
25 novembro 2006
putaquepariu! essa música merece.
Esta é a última canção que eu faço pra você
já cansei de viver iludido só pensando em você
se amanhã você me encontrar
de braços dados com outro alguém
faça de conta
que pra você não sou ninguém
mas você deve sempre lembrar que já me fez chorar
e que a chance que você perdeu nunca mais vou lhe dar
e as canções tão lindas de amor
que eu fiz ao luar para você
confesso
iguais àquelas não mais ouvirá
e amanhã sei que esta canção você ouvirá no rádio a tocar
lembrará que seu orgulho maldito já me fez chorar por muito lhe amar
peço não chore
mas sinta por dentro a dor do amor
e então você verá o valor que tem o amor
e muito vai chorar ao lembrar do que passou
#1 Eduardim comentando a curta duração de um dos melhores álbuns da história: "Caetano teve ejaculação precoce quando fez esse Transa!". Essa eu queria ter dito!
08 novembro 2006
Nota que eu ando em linha torta sem razão pra mentir. Vê que eu ando me dizendo pra cortar em pedaços a razão de sofrer.
(Com facão bem amolado de assustar cidadão no meio do mato!)
04 novembro 2006
então me dei conta de que além de suja você só dizia a verdade e decidi não escutar mais. me escondi no interior dos problemas, fiz questão de não dar nenhuma resposta clara e elaborei perguntas difíceis. você se safou argumentando sobre meu egoísmo.
no terceiro ato deste drama no qual nos inscrevemos como protagonistas, você se lançou numa cruzada contra a verdade. recluso, decidi não contestar e de longe mirei seus passos decididos pela vingança.
foi embora o tempo em que nos abraçávamos nos telhados, quando a solidão era um medo distante e sabíamos exatamente o que dizer nos momentos em que palavras não eram necessárias.
22 outubro 2006
05 outubro 2006
O Superflex primeiro criou uma cerveja liberada para cópia, embalagem e reprodução, agora foi mais longe e junto com produtores de guaraná da floresta amazônica produziu e lançou o Guaraná Power. Eles reclamam o uso das características genuínas da semente de guaraná, isto é, como um tônico natural e não apenas como um símbolo publicitário. Como forma de ativismo político anti-corporação reuniram os produtores da região para pensar em formas de combater o monopólio da fabricação de refrigerante derivado da semente. O fato de os produtores venderem as sementes apenas para uma empresa fez os preços da matéria-prima despencarem de 25 dólares para 4 dólares em quatro anos.
O Superflex acabou usando o Guaraná Power como obra de arte, inscrevendo o projeto em diversas bienais internacionais. Na Bienal de Arte de São Paulo o trabalho foi recusado pela Fundaçaõ Bienal após ser selecionado pelos curadores. A direção acatou um posicionamento do departamento jurídico da entidade, desconfiada e receosa de futuros problemas na justiça acarretados pelo uso da marca guaraná. Agora o grupo lançou um manifesto disponível na página do Guaraná Power.
Sítio do Superflex.
Sítio do Guaraná Power.
04 outubro 2006
adrenalina!
01 outubro 2006
metalinguagem
"(...)Como já disse, os personagens não nascem de um corpo materno como os seres vivos, mas de uma situação, uma frase, uma metáfora que contém em embrião uma possibilidade huamana fundamental que o autor imagina não ter sido ainda descoberta ou sobre a qual nada de essencial ainda foi dito.
Mas não se costuma dizer que o autor só pode falar de si mesmo?
Olhar o pátio, impotente, e não conseguir tomar uma decisão; ouvir o ruído obstinado do próprio ventre num momento de exaltação amorosa; trair e não saber parar na estrada tão bela das traições; erguer o punho no desfile da Grande Marcha; demonstrar humor diante dos microfones escondidos pela polícia: conheci e eu mesmo vivi todas essas situações; de nenhuma delas, no entanto, saiu o personagem que eu mesmo sou no meu curriculum vitae. Os personagens de meu romance são minhas próprias possibilidades que não foram realizadas. (...) O romace não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que é a vida humana na armadilha que se tornou o mundo."
13 setembro 2006
Ninguém sabe direito a lista de todos os vídeos selecionados, nem os diretores (eu, no caso) foram avisados. Isto porque a produção é falha, ao contrário do REC, da concorrente Faesa, impecavelmente organizado.
#1 E a Transborda? Eu, sinceramente, não entendi a aplicação de tão amplo conceito num festival. Alguém me explica como vai ser a seleção, por favor!
#2 Eu conheço um filme com borda de catupiry! Delícia!
#3 Qual a influência do Guy nestas coisas de borda? piada infame!
05 setembro 2006
"Agora estou aqui nessa cidadezinha de merda,cercado por chiliques nacionais e internacionais,pela paisagem sonífera que encantou Debret,e pedras a judiar dos meus ligamentos;ladeado por escritores "engajados"... (me pergunto: "engajados no quê? Na chatice?") e - evidentemente - atrás de uma maria-rodapé pra comer acompanhada com feijão grosso e costelinha de porco." (tudo)
01 setembro 2006
cybershots
#1 Hello Kitty numa roda de capoeira: "samba hello kitty!" é intervenção urbana da mais pura linhagem: instantânea, surreal e divertida! site relacionado: culundriarmada.
p.s.: garimpagem do erly!
#2 Compre na Mercearia da Esquina inaugurou um gênero: pobre porco e morte ao porco.
ela subia levando aqueles dois pratos de porcelana branca envoltos em pano branco e vestia sempre preto, saia e blusa. o marido, o irmão, o pai, o filho. alguém a esperava subir ladeira tão íngreme, uma destas figuras masculinas que, é certo, teriam a impaciência agravada pela fome. um homem que merecia dedicação de mulher, irmã, filha, mãe.
estático, ele esquecia de comer. vinham da mesa da sala de jantar os gritos pacientes da mãe e, ante o primeiro ruído de arrasto no assoalho da cadeira de cabeçeira do pai, respondia que estava voltando. teria ainda alguns segundos até que a perdesse de vista. na porta, na hora do almoço de todos os dias úteis, ele não queria mais a ordem da casa.
agora ele lembra. agora que é escravo de uma janela por onde vê passar o mesmo balanço em mulher outra. para alcançá-la será preciso arredar os móveis, remover os vasos de flores que tomam o sol da manhã na janela, pegar algum impulso e cair tropeçando naquele sapo de jardim.
30 agosto 2006
intromissão
Da Sedução ao Caos.
Há algum tempo, sem pressa, venho lendo A Sedução do Lugar, de Joseph Rykwert, um apanhado de dados históricos e conceituais sobre A história e o futuro da cidade, como indica seu subtítulo. (continua)
23 agosto 2006
fiquei procurando sua silhueta e tudo o que vi foram malditas cabeças femininas apoiadas em ombros inconvenientes nesta sessão água com açúcar. fiquei sentado enquanto acendiam as luzes. os créditos ainda escalavam a tela até sumirem no carpete escuro quando você se levantou. imaginei você desenhada em gestos e cores numa sequência de Wong Kar Wai, passando por mim displicente, de vestido listrado e luvas negras. então notei que a sessão que exibiu seu sorriso havia acabado e eu veria em todos os filmes que assistisse de hoje em diante as duas cenas que montei com você.
20 agosto 2006
Vejo que meu candidato no útlimo VCV honrou seus compromissos de campanha. Despretensioso e singelo, o curta vai na contramão do cinema feito aqui (Espírito Santo, Brasil).
Fazendo as contas, No Princípio era o Verbo está entre os mais premiados curtas capixabas de todos os tempos. Baseado em Histórias Reais (2002), de Gustavo Moraes, com 12 prêmios, Portinholas (2003), do Projeto Animação, com 7, Macabéia (2000), de Erly Vieira Jr., Lizandro Nunes e Virgínia Jorge, com 6, e Graúna Barroca (1990), vídeo-arte de Ronaldo Barbosa, também com 6, completam o top cinco dos filmes mais premiados deste Espírito Santo.
17 agosto 2006
Sanguinolenta porque inspirada no mais cruel dos animais destas e daquelas paragens, o Tentilhão Vampiro. Ele que desde épocas darwinianas habita as Ilhas Galápagos se alimentando do sangue de pelicanos indefesos é o responsável por importantes descobertas científicas, já que graças a seus pares foi possível traçar a linha evolutiva das espécies que habitam este planeta, além de ter ajudado a alimentar teorias sociais fajutas, como o darwinismo social.
Buscando aqui e ali um designer de traços arrojados e consciência social aguçada, nos deparamos com a obra inquietante de Julio Cezar, 13 anos, habitante da Praia da Costa, fã de tudo que é japonês e irmão do Rodrigo Melo. Talento em progresso do audiovisual capixaba, em plena adolescência já possui um dos currículos fílmicos mais extensos da margem direita do valão de Vila Velha, com nada menos do que 60 animações. A violência é tema recorrente em sua obra. Doidera e Stealth Kill, dois de seus trabalhos mais recentes, estão disponíveis na grande rede. Em Stealth Kill o diretor abusa do uso das cores em cenários bem trabalhados e se esmera na construção psicológica dos personagens, enquanto em Doidera experimenta os movimentos de câmera em animações 2D e elabora um roteiro repleto de reviravoltas.
Impressionados com a força destas imagens, tomamos imediatamente todas as providências para a contratação deste jovem cineasta e confiamos a ele a responsabilidade pela criação da logomarca da Tentilhão. A negociação, mediada pelo seu irmão e empresário, durou cerca de 5 minutos e terminou com a promessa de um adiantamento de duas bolas sabor morango. Além disso, traçamos via msn o futuro cinematográfico de Julio Cezar e vislumbramos seu sucesso em festivais.
14 agosto 2006
Reta
Transversal. Doc. 13 min. dia 17. próxima quinta-feira. 19h. REC. Faesa.
Documentário que ganhou alma na ilha de edição, apesar do pouco tempo e do pouco espaço no hd para editarmos.
(#1) Ainda tem Rodrigo, Gustavo e Marcelo, Não é só uma passagem e O Beijo de Amanda, na quarta-feira.
28 julho 2006
Pulo e me sinto estranhamente próximo de britney spears, beyoncé e tantas outras. Ah, o mundo da música pop dá voltas!
24 julho 2006
ainda não fiz nenhum esforço para colocar a cabeça no lugar. a dele e a minha.
19 julho 2006
dedicatória
se, nos dias que se seguiram, eu deixasse meu orgulho de lado, você moraria comigo, teria um filho meu e me pouparia a energia gasta em escrever algumas linhas lamentando a mediocridade do meu cotidiano sem você.
14 julho 2006
Patrícios
Para entender o ponto de vista dos oprimidos, visitem o al jazira, em jucutuquara, o único bar, eu disse bar, árabe de vitória e conversem com o Said Ghraize.
daqui só é possível sair uma vez na vida, num dia ou noite em que se descobre o mundo e a inquietação se torna tão grande que é possível romper as amarras, dar adeus à mãe, deixar os amigos e aprender a contar até o infinito.
e por mais que se afaste, o fantasma deste lugar continua vagando e você vai pensar em voltar algumas vezes.
10 julho 2006
Admitiria estas hipóteses se não estivéssemos em meados de 2006. É certo que mudaram o nome para atrair, em tempos de copa do mundo, a fatia dos clientes patriotas, que alguma pesquisa de mercado esperta soube identificar. Além disso, a seleção italiana não ganhava uma copa há 24 anos! Uma péssima estratégia de marketing seria deixar com este nome um restaurante que, pretendia-se, de sucesso.
Mas, vieram os jogos e não os clientes. O título foi para a Azzurra. E bola e Brasil se mostraram uma péssima combinação.
06 julho 2006
Insisto. Aqueles não eram os melhores dias da minha vida, o extremo oposto, porém. Tive que escolher entre você e minhas amídalas, as quais, com a obstinação que me faltava para dizer que te amava, me sufocavam dia e noite. Sobrava um resto de voz insuficiente para sugerir a você que esperasse eu me curar.
Agora, lamento que este romance laringo-nasal tenha terminado tão sem mágoas ou justificativas. Sem gritos histéricos nem olhos e narizes escorrendo lembranças e tristeza.
04 julho 2006
1º Contravenção – Mostra de Vídeos na Contramão e de Invenção
Nesta quarta-feira, os estudantes de Comunicação Social da Ufes realizam a Contravenção – Mostra de Vídeos na Contramão e de Invenção, a primeira mostra de vídeos produzidos por alunos de jornalismo e publicidade da universidade federal. Os vídeos serão exibidos a partir das 20h, no pátio do Cemuni 5 no Centro de Artes.
Com um ideal festivo, sem premiação, mas com música, cerveja gelada e vinho de garrafão a noite inteira, a 1º Contravenção tem o objetivo de tirar dos arquivos empoeirados os vídeos fresquinhos produzidos nas disciplinas do curso de Comunicação e em oficinas de animação e vídeo oferecidas pelo Centro Acadêmico desde 2003 além das fitas independentes feitas pelos estudantes.
Sem um canal universitário para a veiculação deste material, os estudantes pretendem formar um circuito alternativo de exibição, autônomo e temporário, uma rede sem hierarquia e sem censura, mas com um alvo bem definido: divulgar o que se inventa na universidade (ou apesar dela). Até agora são 15 vídeos inscritos, mas todos estão convidado, podem levar seu dvd ou vhs que serão exibidos na hora.
A 1º Contravenção é organizada pelo Centro Acadêmico de Comunicação Social da Ufes e tem o apoio do Departamento de Comunicação Social.
03 julho 2006
o hexa
chega a ser divertido o modo como a globo, em seu noticiário esportivo, desde domingo, crucifica os jogadores mais antigos, os homens de confiança do técnico. cafu e roberto carlos, os acusados pelo gol da frança, sairão no lucro se sobreviverem após o massacre. aliás, sobrevida os dois tiveram na seleção, roberto carlos falha e não cruza uma bola na área adversária desde 1998.
até kaká e adriano estão no rol dos piores da copa. liderada, claro por parreira e sua reação tardia ao futebol medíocre da seleção.
(#1) sábado, enquanto os jogadores brasileiros murmuravam o hino nacional, a escelsa fazia um grande esforço para poupar os torcedores da região norte de Vitória de mais uma traumática partida contra a frança. em jardim da penha faltou luz durante quase todo o primeiro tempo. infelizmente, conseguimos a casa de um colega com luz, dois prédios à frente, na mesma rua, e pudemos fazer parte da corrente pra frente.
(#2) em 1998, assisti a quase todos os jogos com a minha mãe. quase. justamente na final eu fui para um sítio com amigos. lembro de, ao voltar pra casa à noite, passar por ruas desertas. um silêncio angustiante na cidade inteira. minha mãe me culpa até hoje pela derrota do brasil.
22 junho 2006
invejo seu cinismo. o modo prolixo como nega sua dependência e reafirma com a ladainha das seis horas seu credo inabalável no amor livre. nesta altura da vida o que me faltava eram ideais libertários! saiba, eu prefiro a caretice das declarações de amor, as mãos dadas, o presente no dia dos namorados.
e saio me desculpando pela ingenuidade descrita sem vergonha nesta folha branca, enquanto ouço aquela fita k7 que você gravou pra mim quando ainda não estavam domesticados os gravadores de cd e acabáramos de fazer a primeira comunhão.
12 junho 2006
(#1) compre na mercearia da esquina foi elevado à condição de invejada produção artística por um proeminente diretor espírito-santense.
(#2) quero viver em um lugar onde as árvores sejam maiores que as casas.
30 maio 2006
do pedestal erguido para a campanha de sua auto-promoção, ele atribui muito valor ao que fala. sugere uma, duas, três pautas para serem fiéis à complexidade de suas colocações. completa a série revelando sua cruzada solitária contra os costumes limpos da classe dominante. porque artista de fato critica, radicaliza, incomoda e, sempre, é perseguido sem direito a defesa.
e o chilique, claro. a defesa natural quando estão se aproximando do cerne da questão. o desfecho óbvio, como num roteiro construído sem surpresas.
16 maio 2006
Compre no CCBB
Dos 226 inscritos, 54 entraram na competição! Em breve, mais detalhes.
08 maio 2006
29 abril 2006
pixcodelics
Em comparação com os desenhos do século passado só uma coisa não muda, no final o bem ainda vence.
Matéria do Uol.
Site do desenho.
25 abril 2006
Prefiro o antigo, que ocupava menos espaço na tela, era claro e bastante visível. No novo modelo, o nome dos times e o tempo cronometrado ocupam um espaço enorme da parte superior esquerda da tela. Além disso, um gol é motivo para que apareça na parte inferior esquerda o nome do jogador que marcou e ainda escrevam, por cima do nome, a palavra GOOOL, com alguns "os" a mais. É redundante! Precisa escrever? Não bastam a imagem e a narração?
Depois de uma boa fase de inovações na transmissão de partidas de futebol trazendo para a televisão aberta cacoetes de videogame, como o círculo que determina o posicionamento correto da barreira e a seta que mede a distância da bola parada até a meta, a Globo dá um passo em falso justamente no quesito no qual teria tudo para ser bem sucedida.
20 abril 2006
gente, ele tem um blog
Pronto-Parágrafo
agora ele vai entender o que é ter os comments zoados!
19 abril 2006
sangue
também não conjuguei o verbo amar. mas isso não demorou você percebeu. tanto que foi embora. sei que espera que eu esteja no mesmo lugar, com o mesmo vento sul levantando meu cabelo, quando você chegar. e eu vou estar. a vida foi suspensa quando seu ônibus partiu. confesso que procurei um lenço para balançar, um chápeu de feltro cinza para acenar, mas você não olhou pela janela. gosto de imaginar que o ônibus quebrou na estrada e você ainda não chegou ao seu destino. é por isso que demora tanto a voltar.
14 abril 2006
28 março 2006
e nem as amigas dela. nem a terapia que venho sofrendo há meses. nem estes comprimidos azuis que me custam dinheiro e vergonha. nada me desperta do eterno sono no qual ela me enclausurou.
14 março 2006
eu continuo sendo o terceiro, mas não o último. você encontrou o quarto, e nem o compositor havia pensando nesta hipótese. espero que a história seja um círculo e ele, o primeiro, levando para você um bicho de pelúcia. logo virá o segundo e te chamará de perdida. só aí, no final do ciclo, você se lembrará de mim e eu não te pedirei nada.
08 março 2006
Agora, incansável, ligo todas as noites. E imagino o eco do telefone chamando pela sala vazia da casa dela e indo até o quarto onde ela sussurra as palavras que definem meu futuro no ouvido de outro.
Ainda me dói a cabeça a repetição exaustiva do toque do aparelho. (Onde eu deixei minha dentadura?)
05 março 2006
alguns, como peregrinos cientes do seu destino, seguem em frente apesar das dúvidas. e mesmo que peguem atalhos ainda assim continuam, enquanto eu aqui parado acredito que a única saída é pensar em como as coisas foram boas por algum tempo.
04 fevereiro 2006
Conhecer as pessoas é a melhor forma de gostar do lugar
Lá em Tiradentes a Mostra de Cinema se divide entre filmes na Tenda, armada na margem esquerda do rio que molha a cidade, filmes na Praça, onde se ouve rock ou blues vindos dos bares ao redor, oficinas espalhadas por aí, e debates no Centro Cultural, edifício charmoso com sala de imprensa, auditório, café, escada larga com sombras de arvóres e uma mercearia bem em frente.
Um sobrado antigo, duas portas altas de madeira, uma mesinha de bar, balcão, freezer, estufa, prateleiras com secos e molhados, enlatados e engarrafados, muitas pelas paredes, uma mesa de madeira com gavetas e atrás o dono, seu Bizuca.
Comprar ali é ser presenteado com uma prosa rica. Peça uma cerveja no ensolarado sábado a tarde ou compre uma garrafa de vinho tinto seco e um queijo minas na noite de domingo e seu Bizuca irá contar um pouco da sua história e da vida da cidade, ou de como os vinhos secos são melhores do que os suaves. Ele ainda fala da sua pousada, se orgulha da tranqüilidade de Tiradentes e recomenda as cachoeiras dos distritos próximo. O queijo é feito num sítio perto, ele está ali há uns 30 anos e os dias de carnaval dão muita confusão.
Tudo bem, seu Bizuca. Não virei no carnaval. Melhor aparecer uns dias antes, durante a Mostra!
25 janeiro 2006
leiam um pouco mais aqui!
14 janeiro 2006
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair"
chico buarque me resume.
no alto a lua está cheia. as montanhas, cuidadosamente construídas, impedem meu destino. claustro. curto horizonte. corro para elas. corro contra o muro.
estouro contra ele a teimosia dos meus nervos. dedico à rígida escuridão a intensidade estéril dos meus movimentos. e caio algumas vezes.
escondo as feridas dos meus olhos. e sigo batendo.
queria agora a amplitude do mar e poder olhar, olhar mais do que o escuro vertical.
11 janeiro 2006
crítica
10 janeiro 2006
telhados
23 dezembro 2005
uma canção de amor e morte
acompanho aqueles que choram e negam qualquer possibilidade daqui em diante.
nada a fazer, apenas soluçar sobre o leito.
02 novembro 2005
continua
Caminho rumo ao Centro. Leio nas placas os nomes das ruas que você me cansou de dizer e percorro o trajeto imaginário que suas pernas desenharam um dia. Sinto o cheiro dos queijos pendurados à mostra nas mercearias da parte velha da cidade. Vejo que, mal se vai o dia, as luzes vermelhas do amor brilham nos luminosos dos hotéis baratos.
Alcanço a praça e ela já não é a mesma. Você mentiu quando falou das flores no jardim, do realejo e do lambe-lambe. Interrompo o andar apressado de um senhor e o faço tirar os olhos do jornal. Pergunto sobre o coreto e ele diz que foi desmanchado ainda no século passado, quando a seresta foi sepultada no túmulo do último flautista da cidade.
Ele continua seu lamento e o acompanho com os olhos até o momento em que desce da calçada para atravessar a avenida e em passos firmes se lança em meio aos carros. Ouço seu último gemido quando é lançado para o alto seguidas vezes por uma comitiva de limusines negras e agradeço aos curiosos que se aglomeram ao redor do corpo deixando livre o horizonte de ruas margeadas por edifícios tortos.
Desfruto este instante de solidão cabisbaixo, certo de que não tropeçarei em alguém, e esqueço que estou em território inimigo.