15 março 2010
12 março 2010
o caso do fusca
E foram essas as testemunhas de uma de suas grandes façanhas. Conta-se que era mau pagador - e aqui apenas relato o que está grafado eternamente na memória dos homens do lugar, baú onde repousam as histórias que andaram por anos sendo moldadas no calçamento irregular das ruas e me foram narradas durante um café numa de suas esquinas. Era, portanto, mau pagador e havia comprado a prazo uma bateria para o seu Fusca branco 73.
Difícil seria não esbarrar com o credor no meio da rua e foi o que aconteceu certo dia e na frente dos amigos. Cobrado, reagiu friamente e com incrível desapego. Ninguém entendeu quando assumiu a dívida e falou pode tirar a bateria lá do carro. Meio atordoado mas disposto a se mostrar valente, foi o cidadão simples retomar o produto da discórdia. E ali, futucando no capô do fusquinha, foi abordado por uma dupla de policiais que não acreditaram em nenhum dos argumentos de defesa daquele pobre acusado de roubar o veículo do ilustríssimo senhor doutor Eros.
27 fevereiro 2010
Um dia desenhei meu desejo em quadrinhos, um preto e branco com quase nada de tons de cinza dispostos em sequência numa página A4. Começava mais ou menos assim: a imagem de uma música, a letra, na sua camiseta branca, o enquadramento fechado, logo seu rosto em close e depois o ambiente, aquela festa sem graça na qual me diverti tentando descobrir seu sotaque. Agora você zomba do meu, mistura de tantas falas de tantos lugares e um leve acento nos sons nasais, a arte de ser fanho ou coisa parecida. No meio da rua, te conto aquela piada da turma de amigos que queria entrar de graça numa festa e usou a artimanha de se anunciar como a “banda”. Os seguranças meio que acreditaram, até o último da fila, um fanho incorrigível, dizer que era o “antor”. Você ri, mas é só mais uma piada infame, daquelas de tio, que eu memorizei das festas de fim de ano da família. As festas de família, os jantares, as ceias de natal, a contagem regressiva do ano novo. Era nessas horas que eu mais sentia sua falta, quando não havia onde se esconder da solidão tremenda, nem o refúgio dos livros ou da música alta, das drogas leves ou das bebidas pesadas. E agora você na minha frente, eu sem saber como dizer. Vou pra casa e escrevo esse maldito texto infantil com referência a quadrinhos.
08 junho 2009
13 maio 2009
"Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão" (João 16:13)
Era uma figura negra, bem negra, de chinelos, boné, calça de tecido e camisa abotoada. Às 13h, quando o vi, era apenas esse, sentado no meio-fio quase na portaria do jornal. Usava óculos e tinha o semblante sereno.
Seis horas depois, era o mesmo homem do outro lado da rua, quieto como antes. O segurança não sabia o que ele fazia ali durante todo esse tempo. Perguntei o que ele queria. Vi que no boné estava escrito Senegal e ouvi palavras enroladas, uma mistura de português, francês e inglês.
Vinha anunciar o Apocalipse, ele me contou, e queria falar com alguém da televisão e que se o fim do mundo não viesse, ele morreria.
Era senegalês, morava no Brasil há quatro meses, onde chegou de avião. Seu nome era Abraão. Depois ele me apontou a palavra Espírito Santo e balbuciou algo como "justiça" (Futura sede da Justiça Federal no Espírito Santo é o que está escrito nos tapumes em frente à sede da Rede Gazeta).
Perguntei se ele estaria ali amanhã e ele não quis dizer mais nada. Pediu que eu lesse o Evangelho de São João (16:13) e o livro do profeta Ezequiel, que começa assim: "No trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, quando me encontrava entre os deportados, às margens do Rio Cobar, abriram-se os céus e contemplei visões divinas".
Já em João 16:8 está escrito: "E, quando ele (o Paráclito) vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo". Paráclito: palavra grega muitas vezes traduzida como "consolador", mas que signifca realmente auxílio, intercessor.
25 fevereiro 2009
quarta-feira de cinzas
27 janeiro 2009
19 janeiro 2009
16 janeiro 2009
06 janeiro 2009
04 janeiro 2009
#1 E o Cochicho está fechado desde antes do Natal. Olha a mensagem na comunidade do orkut: "Comunicamos aos amigos, clientes e afins que por motivos biológicos entraremos em férias coletiva no período de 22/12/2008 a 07/01/2009. Retornaremos as atividades no dia 08/01/2009 impreterivelmente as 17 horas. A todos um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo!! Geraldo e Conceição,Cochicho da Penha.".
#2 Que diabos são "motivos biológicos"? Será que Seu Geraldo é o Papai Noel ou simplesmente a família não confia em mais ninguém pra tomar conta do botequim?
24 dezembro 2008
_hello!
a primeira ligação telefônica (afetiva) internacional. é tempo de desejar um cínico feliz natal. cínico porque não há natal feliz se você tem que fazer um ddi afetivo.
22 dezembro 2008
não sei se fui legal o suficiente pra retribuir tudo o que ele fez por mim, mineiro acostumado a esses favores tão simples, mas relativamente custosos, como dar carona às seis da manhã de um sábado para a estação ferroviária. sei que durante um tempo ele ocupou um quarto vago daqui de casa com sua ilha de edição, tendo a chave do apartamento (e isso é uma prova de confiança incontestável para qualquer taurino).
todos os grandes amigos estão de saída. fica minha saudade, um desejo de que as coisas dêem certo e a certeza de que, entre todos, o igor faz o que poucos de nós, os outros e medíocres, tivemos coragem de fazer, em menor ou maior escala: apostar todas as fichas naquilo que ama.
12 dezembro 2008
Hermes e Renato no auge! Charlinho Style!
05 dezembro 2008
14 novembro 2008
Eli Paperboy Reed: ele pensa que é o Otis Redding do século XXI
Russian Red: em verdade vos digo que gosto mais das fotos da moça madrileña
Emiliana Torrini: músicas lindinhas e ora inventivas, ótimas ambientações instrumentais criadas por essa islandesa, principalmente o disco Me and Armini.
Los Álamos: gaitas de blues, banjo folk e uma levada country se encontram em Buenos Aires com um lamento vocal e guitarras etéreas no sensacional El Fino Arte de la Venganza.
Maria Bethânia: o disco de 1972, com Iansã, Trampolim e Volta por Cima é fundamental (perdi o link que baixei, droga!).
01 novembro 2008
24 outubro 2008
hoje eu aprendi mais uma lição do jornalismo: abrir mão de uma entrevista divertida, com o líder de uma banda internacional, em função do dead line. Ok, ingenuamente eu acreditei que fosse possível, que o horário de fechamento poderia ser alargado até o máximo da intolerância da gráfica em nome da arte, mas não foi bem assim. O resultado? Uma matéria facilmente esquecível na capa de sábado, desanimada e sem sal. E no blog, assim que eu conseguir traduzí-las, um esforcinho que acabou valendo a pena: algumas perguntas enviadas ao Eugene Hutz, do Gogol Bordello, há muitos dias, talvez na segunda, e só respondidas agora, 18h30 de sexta, quando o ucraniano maluco já está no Rio de Janeiro.
12 outubro 2008
05 outubro 2008
Na minha análise, o resultado mais significativo dessa eleição foram os 868 votos que Mamãe recebeu na disputa por uma vaga na câmara de Vila Velha.
Em Manhuaçu, Nat King Cole contava 120 votos de confiança com 98% das urnas apuradas, como bem chamou minha atenção a dona Amelie. Por lá, uma varredora de rua, Nicolina, teve 1188 votos e chegou na nona posição geral e primeira suplente da coligação.

