régis rosing, mário bonella... tudo que eu teria a dizer sobre certo jornalismo (pretensamente) poético da televisão brasileira está aqui.
Hermes e Renato no auge! Charlinho Style!
12 dezembro 2008
05 dezembro 2008
já tinha visto aqueles olhos. árabes olhos que passeavam pela rua, faziam compras no supermercado e dançavam rock nas noites da cidade. desejou com toda força tê-los por perto. agora os tinha. os olhos e a moça, dona deles. a moça de árabes olhos lindos porque grandes e pretos, delineados por ainda mais pretos lápis que cobriam suas pálpebras. "deveria dormir de olhos abertos!", ele sugeriu.
14 novembro 2008
links aleatórios de cousas quiçá interessantes/animadas/bonitas/e tão aleatórias quanto seus próprios links que ando visitando e escutando nesses dias de dor de garganta/tempo nublado/temporais.
Eli Paperboy Reed: ele pensa que é o Otis Redding do século XXI
Russian Red: em verdade vos digo que gosto mais das fotos da moça madrileña
Emiliana Torrini: músicas lindinhas e ora inventivas, ótimas ambientações instrumentais criadas por essa islandesa, principalmente o disco Me and Armini.
Los Álamos: gaitas de blues, banjo folk e uma levada country se encontram em Buenos Aires com um lamento vocal e guitarras etéreas no sensacional El Fino Arte de la Venganza.
Maria Bethânia: o disco de 1972, com Iansã, Trampolim e Volta por Cima é fundamental (perdi o link que baixei, droga!).
Eli Paperboy Reed: ele pensa que é o Otis Redding do século XXI
Russian Red: em verdade vos digo que gosto mais das fotos da moça madrileña
Emiliana Torrini: músicas lindinhas e ora inventivas, ótimas ambientações instrumentais criadas por essa islandesa, principalmente o disco Me and Armini.
Los Álamos: gaitas de blues, banjo folk e uma levada country se encontram em Buenos Aires com um lamento vocal e guitarras etéreas no sensacional El Fino Arte de la Venganza.
Maria Bethânia: o disco de 1972, com Iansã, Trampolim e Volta por Cima é fundamental (perdi o link que baixei, droga!).
01 novembro 2008
no grande prêmio brasil desse domingo, rubens barrichelo tem a chance de dar ao povo brasileiro mais do que nunca foi capaz em, sei lá, 15 anos de fórmula 1. perdedor nato, loser supremo das pistas, subordinado de schumacher durante anos, capaz das derrotas mais improváveis, rubinho deve, ao menos, oferecer ao povo a derrota de hamilton, após um discreto e insuspeito acidente quando o inglês tentar ultrapassar o eterno retardatário brasileiro. nada que abale sua imaculada carreira como piloto-chorão, apenas a confirmação de seu patriotismo, concretizado com um lugar entre os mártires da nação.
24 outubro 2008
Querido diário,
hoje eu aprendi mais uma lição do jornalismo: abrir mão de uma entrevista divertida, com o líder de uma banda internacional, em função do dead line. Ok, ingenuamente eu acreditei que fosse possível, que o horário de fechamento poderia ser alargado até o máximo da intolerância da gráfica em nome da arte, mas não foi bem assim. O resultado? Uma matéria facilmente esquecível na capa de sábado, desanimada e sem sal. E no blog, assim que eu conseguir traduzí-las, um esforcinho que acabou valendo a pena: algumas perguntas enviadas ao Eugene Hutz, do Gogol Bordello, há muitos dias, talvez na segunda, e só respondidas agora, 18h30 de sexta, quando o ucraniano maluco já está no Rio de Janeiro.
hoje eu aprendi mais uma lição do jornalismo: abrir mão de uma entrevista divertida, com o líder de uma banda internacional, em função do dead line. Ok, ingenuamente eu acreditei que fosse possível, que o horário de fechamento poderia ser alargado até o máximo da intolerância da gráfica em nome da arte, mas não foi bem assim. O resultado? Uma matéria facilmente esquecível na capa de sábado, desanimada e sem sal. E no blog, assim que eu conseguir traduzí-las, um esforcinho que acabou valendo a pena: algumas perguntas enviadas ao Eugene Hutz, do Gogol Bordello, há muitos dias, talvez na segunda, e só respondidas agora, 18h30 de sexta, quando o ucraniano maluco já está no Rio de Janeiro.
12 outubro 2008
é hora de repensar toda sua existência pregressa e ensaiar com cuidado os próximos passos quando os dois adjetivos usados para te descrever são "cabeça dura" e "heterossexual".
05 outubro 2008
A apuração das eleições brasileiras ficou ainda mais emocionante com o software do TSE que te permite acompanhar tudo em tempo real! Só não é mais divertido que a apuração do carnaval carioca porque sinto a falta da voz daquele narrador oficial da Liga.
Na minha análise, o resultado mais significativo dessa eleição foram os 868 votos que Mamãe recebeu na disputa por uma vaga na câmara de Vila Velha.
Em Manhuaçu, Nat King Cole contava 120 votos de confiança com 98% das urnas apuradas, como bem chamou minha atenção a dona Amelie. Por lá, uma varredora de rua, Nicolina, teve 1188 votos e chegou na nona posição geral e primeira suplente da coligação.
Na minha análise, o resultado mais significativo dessa eleição foram os 868 votos que Mamãe recebeu na disputa por uma vaga na câmara de Vila Velha.
Em Manhuaçu, Nat King Cole contava 120 votos de confiança com 98% das urnas apuradas, como bem chamou minha atenção a dona Amelie. Por lá, uma varredora de rua, Nicolina, teve 1188 votos e chegou na nona posição geral e primeira suplente da coligação.
29 setembro 2008
#1 nossas avós estão se acabando antes que nos dêem tudo que sabem, antes que eu ouça todas as histórias e me irrite com seus lamentos. os amigos de infância estão se casando, se juntando e fazendo planos. antes mesmo que eu planeje o dia seguinte ou rejeite a solidão.
#2 ouvindo Belchior. chorando Belchior. roteirizando Belchior.
#2 ouvindo Belchior. chorando Belchior. roteirizando Belchior.
08 setembro 2008
Sexta-feira, em um sebo, me senti obrigado a adquirir duas obras raras: "O Reino dos Medas" (1971) e "As Mãos no Fogo: O Romance Graciano" (1984), ambos de Reinaldo Santos Neves. E isso me fez lembrar algumas coisas.
Além dos adjetivos compostos de melhor autor de romance confessional, um dos maiores escritores brasileiros e o melhor escritor que já produziu (e vem produzindo) obras em Vitória, Reinaldo pode se orgulhar de outros dois feitos.
O primeiro deles é a sensacional epígrafe de "Sueli: Romance Confesso" (1986), que diz:
Outra glória é a orelha de, se não me engano, "Kitty aos 22: Divertimento" (2006), na qual começa dizendo ter jurado nunca mais escrever orelhas de livros pra ninguém e por isso não poderia pedir pra outro escrever a do seu. Divertimento!
Comecei a ler os "Medas" e, cara, é impressionante o que Reinaldo faz com as letras. Como escreve esse seu primeiro romance em um ritmo alucinante, com repetições, de palavras, frases, idéias, que nunca soam desnecessárias, mas só contribuem para criar o clima delirante de um grupo de amigos que vive a loucura e a diversão de várias noites e dias, mas uma noite em especial: a do suicídio de um deles.
Pelo menos é isso o que está nas primeiras 68 páginas. E 68, nesse caso, significa mais que um número no rodapé da folha.
Além dos adjetivos compostos de melhor autor de romance confessional, um dos maiores escritores brasileiros e o melhor escritor que já produziu (e vem produzindo) obras em Vitória, Reinaldo pode se orgulhar de outros dois feitos.
O primeiro deles é a sensacional epígrafe de "Sueli: Romance Confesso" (1986), que diz:
"Eu sou euMais direto impossível.
Eles são eles
Sueli é você"
Outra glória é a orelha de, se não me engano, "Kitty aos 22: Divertimento" (2006), na qual começa dizendo ter jurado nunca mais escrever orelhas de livros pra ninguém e por isso não poderia pedir pra outro escrever a do seu. Divertimento!
Comecei a ler os "Medas" e, cara, é impressionante o que Reinaldo faz com as letras. Como escreve esse seu primeiro romance em um ritmo alucinante, com repetições, de palavras, frases, idéias, que nunca soam desnecessárias, mas só contribuem para criar o clima delirante de um grupo de amigos que vive a loucura e a diversão de várias noites e dias, mas uma noite em especial: a do suicídio de um deles.
Pelo menos é isso o que está nas primeiras 68 páginas. E 68, nesse caso, significa mais que um número no rodapé da folha.
23 agosto 2008
ultra-violência olímpica
Meu ódio irracional e minha raiva desumana se apresentam em raros momentos, quando se convertem em ultra-violência gratuita. Meu semblante aparentemente tranqüilo esconde um poço de ignorância pronto para transbordar em hora oportuna como, por exemplo, sendo vítima de injustiça futebolística nas peladas de terça-feira à noite. Mas meus amigos sabem disso e ainda tentam beber cerveja comigo depois dos jogos. A tal injustiça é considerada, claro, sob minha análise egoísta, que boa dose de raiva não vem senão acompanhada de uma teimosia atroz.
Fora essas ocorrências cotidianas, todo meu rancor está concentrado em um só ponto da história recente, quando, há quatro anos, Vanderlei Cordeiro de Lima corria na frente em uma das prova mais nobres dos jogos olímpicos. Naquele maldito domingo, eu esmagaria a cabeça do ex-padre irlandês no meio-fio grego da calçada de Atenas.
Talvez isso não importe mais a Vanderlei, mas os pesadelos em que um homem de saia me abraça são recorrentes e não apagam em mim a vontade de ver uma poça de sangue escorrer daquele maldito europeu que estragou a maior vitória olímpica que esse país de merda teria. E quatro anos depois eu também tenho raiva do maratonista que continuou correndo depois de ser agarrado! Espírito olímpico é o caralho! Estourasse de porrada aquele idiota!
E quatro anos depois a maratona se repete. Vanderlei não corre e talvez nunca mais correrá. O melhor brasileiro está em 19º lugar! E aquele ex-padre, cadê?
Fora essas ocorrências cotidianas, todo meu rancor está concentrado em um só ponto da história recente, quando, há quatro anos, Vanderlei Cordeiro de Lima corria na frente em uma das prova mais nobres dos jogos olímpicos. Naquele maldito domingo, eu esmagaria a cabeça do ex-padre irlandês no meio-fio grego da calçada de Atenas.
Talvez isso não importe mais a Vanderlei, mas os pesadelos em que um homem de saia me abraça são recorrentes e não apagam em mim a vontade de ver uma poça de sangue escorrer daquele maldito europeu que estragou a maior vitória olímpica que esse país de merda teria. E quatro anos depois eu também tenho raiva do maratonista que continuou correndo depois de ser agarrado! Espírito olímpico é o caralho! Estourasse de porrada aquele idiota!
E quatro anos depois a maratona se repete. Vanderlei não corre e talvez nunca mais correrá. O melhor brasileiro está em 19º lugar! E aquele ex-padre, cadê?
18 agosto 2008
Silvio Luiz é Deus! Nada supera o prazer de acompanhar as Olimpíadas de Pequim na Band.
"Atenção que os morcegos vão começar a sair no Brasil. Meia-noite sai tudo voando".
"Álvaro José, tô vendo umas bicicleta na parada!", chamando o triatlo
"Você está acompanhando tudo em aaaaaaiiiiiiiiiiiii definition", sobre a transmissão da Band em HDTV.
"O pano-boy entrou em ação", sobre o cara que enxuga a quadra.
Tudo isso em 10 minutos de Brasil e Espanha no handebol masculino.
"Atenção que os morcegos vão começar a sair no Brasil. Meia-noite sai tudo voando".
"Álvaro José, tô vendo umas bicicleta na parada!", chamando o triatlo
"Você está acompanhando tudo em aaaaaaiiiiiiiiiiiii definition", sobre a transmissão da Band em HDTV.
"O pano-boy entrou em ação", sobre o cara que enxuga a quadra.
Tudo isso em 10 minutos de Brasil e Espanha no handebol masculino.
03 agosto 2008
carro derruba casa no interior de Minas Gerais
quantos adjetivos a gente pode usar pra definir isso?
web 2.0, interatividade, jornalismo colaborativo...
mais informações aqui.
web 2.0, interatividade, jornalismo colaborativo...
mais informações aqui.
18 julho 2008
só uma palavrinha
#1 degredado. ouço e me lembro das aulas de história da sexta série, dos poetas mineiros exilados na África após o fracasso da Inconfidência Mineira. degredado. digo e quero soar como Tomás Antônio Gonzaga sofrendo por sua Marília longe das Gerais.
quero mas não consigo. Domingos Martins fica a poucos minutos de Vitória e, enviado a trabalho, meu motivo está distante de qualquer glória revolucionária.
#2 a primeira inserção no rádio a gente nunca esquece. espero que minha voz ao telefone seja agradável.
#3 a cobertura do Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins e muitas outras coisas, todo mundo pode ver, ler e ouvir no 2narede, novo projeto que reúne Vitor Lopes, Tatiana Wuo e eu, que não gosto de falar de Vitor Graize na terceira pessoa.
quero mas não consigo. Domingos Martins fica a poucos minutos de Vitória e, enviado a trabalho, meu motivo está distante de qualquer glória revolucionária.
#2 a primeira inserção no rádio a gente nunca esquece. espero que minha voz ao telefone seja agradável.
#3 a cobertura do Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins e muitas outras coisas, todo mundo pode ver, ler e ouvir no 2narede, novo projeto que reúne Vitor Lopes, Tatiana Wuo e eu, que não gosto de falar de Vitor Graize na terceira pessoa.
14 julho 2008
26 junho 2008
anotaí na agenda
Terça (01): Coloco música na festa Soul Out da Pastelaria (Praia do Canto), junto com os DJs Bolzan e Pedrada. Rola soul, r&b, funk e afrobeat a partir das 20h até as 2h.
Sexta (04): Fê Paschoal e os Expurgadores, já falei deles lá embaixo, fazem show na noite do Mercatto Donna Lôra (Praia do Canto). Também rola artes plásticas e vídeo. Sensacional!

Sexta (04): Fê Paschoal e os Expurgadores, já falei deles lá embaixo, fazem show na noite do Mercatto Donna Lôra (Praia do Canto). Também rola artes plásticas e vídeo. Sensacional!
16 junho 2008
Ontem, em Ouro Preto, Rodrigo de Oliveira escrevia dedicatórias nas primeiras páginas do livro de artigos sobre o filme Serras da Desordem, sentadinho ao lado do diretor Andrea Tonacci, em uma tarde de lançamento. Exatos 6 anos após o primeiro copo (de plástico) meio cheio (ou meio vazio) de vinho que brindamos, no quinto dia de Ufes, em uma calourada inesquecível (tive noção dessa data redonda justamente agora e quase choro em uma videolocadora com 5 computadores e internet perto da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar). Naquele tempo, 1) ele andava com o Bloco do Eu Sozinho e fitas VHS cheias de Woody Allen debaixo do braço; 2) ganhou nota 10, acompanhada de um "já é um crítico" escrito pela professora no pé da página, em uma resenha de "Amnésia" para a disciplina de Língua Portuguesa; 3) ainda não mantinha a famosa Casa de Loucos; e 4) participava de um projeto frustrado de um site (Mösha) comigo, Rodrigo Melo e José Azevedo, onde assinava seus textos com tiradinhas divertidas do tipo "é estudante de jornalismo e adora os filmes da sessão da tarde". O que ele faz agora (andar por aí acompanhado de críticos renomados, historiadores do cinema brasileiro e diretores promissores) eu não preciso contar, mas de vez em quando separa um tempo para os amigos, entre um longa e outro, em festivais de cinema pelo país, para um café corrido ou uma cerveja com samba.
14 junho 2008
10 junho 2008
chegou a hora de encarar o que eu escrevia com 17 anos de idade. uma agenda de couro marrom onde anotei todos os meus gastos (das passagens de ônibus às cervejas, ainda parcas) em 2000. nessa época eu morava em belo horizonte, fazia terceiro ano à tarde e tinha o bom costume de andar do colégio até a casa de um tio, onde dormia rodeado por literatura e livros de direito (dali tirei e li uma daquelas viagens do carlos castañeda e dois de três livros do jorge amado sobre os comunistas na era vargas). no caminho que ia da timbiras, no funcionários, até a desembargador alfredo de albuquerque, no santo antônio, eu subia a joão pinheiro, com seus casarões antigos e a lanchonete xodó, até a praça da liberdade. volta e meia eu desviava meu curso e ia parar no cine belas artes, pegava uma sessão gratuita de curtas às 18h ou assistia a algum filme sozinho, lembro muito bem de Estorvo, do Ruy Guerra, e de como saí chapado (era o início de uma "educação cinematográfica"). quando não tinha dinheiro ou saco para ir ao cinema, seguia em frente aproveitando o movimento das pessoas que andavam na praça no fim de tarde fresco da cidade, sempre olhando para o lado esquerdo, onde via as curvas do edifício niemeyer. naquele ano, o itamar franco, então governador, decidiu enfrentar fernando henrique cardoso com a artilharia pesada da polícia militar de minas gerais. do alto do palácio da liberdade, atiradores de elite miravam não sei o quê à frente, um tanque ficava estacionado próximo ao muro lateral e uma barraca de lona armada no jardim servia como abrigo às discussões sobre o rumo da batalha (ou eu acabei de inventar todas essas imagens?). acho que não! depois de cruzar um pedaço da savassi, passava em frente ao café com letras (não tinha nem um tostão para gastar ali) e às vezes esticava até o unibanco savassi, salinha miúda onde vi, com minha mãe, em 1996 muito provavelmente, "Segredos e Mentiras", do Mike Leigh. o napster mal tinha começado e na mesma rua havia uma locadora de cds. uma vez loquei o "The battle of Los Angeles", do Rage Against the Machine, e o "There is nothing left to lose", do Foo Fighters. sempre gostei mais do rage e entre os 17 e os 18 minha preferência era o que eu rotulava como rock político. nessa etiqueta eu colocava dead fish, rage, chico science e nação zumbi, o rappa e... que merda de rótulo eu fui inventar? a avenida do contorno eu atravessava em frente a um sex shop e seguia um quarteirão na leopoldina, rua famosa pela vaquinha que já mudou de roupa várias vezes. virava à direita e, pronto, tava em casa. se eu quisesse outra experiência urbana, eu seguia pela rua da bahia direto, um quarteirão acima da joão pinheiro, e passava por mil bares e cafés que se enchiam de gente, até chegar à contorno, mas esse percurso eu raramete fazia. isso tudo não importa a muita gente, importa dizer que eu escrevia mal. na agenda restam três textos de tamanho médio e alguns comentários. esses reativaram a memória que já ia se apagando: "Show no Expresso da Meia-Noite. Putrifocinctor (punk), Slush e Mel Azedo (banda do Tingles)... doido demais". Expresso era um bar fechado, com sinuca no primeiro cômodo e um palco nos fundos e Tingles, um amigo de amigos. sua banda tinha dois hits absolutos: "Beco sem saída" e "Vovó matou o neném". mais do que títulos para as músicas, essas eram as frases repetidas à exaustão na velocidade dos refrões grudentos e inesquecíveis ("eu entrei num beco sem saída, eu entrei num beco sem saída"). isso foi em 20 de maio. oito dias depois fui a Lagoa Santa explorar umas cavernas. estalactites, gmites, desenhos rupestres, essas coisas. depois escrevi: "curso de espeleologia: do caralho. Laura, espeleóloga...". nem precisa dizer, era uma estudante linda de geografia da ufmg. na agenda também estavam tíquetes de cinema (apenas 3, de um shopping. o belas artes, como o metrópolis, não deixava recordações em papel), ingressos de shows e festivais de colégio (naquele ano fui a 4, sensacionais. assisti diesel, hoje udora, em 2, somba em outro e mil outras bandinhas divertidas). foi minha primeira e única tentativa de um diário que nem era tão diário assim. abandonei as agendas para fins de recordação e daqui a alguns anos, quando tiver que jogar alguma coisa fora para limpar espaço na memória, terei apenas que apagar alguns posts desse blog.
04 junho 2008
"As mulheres são putas assassinas, Max, são macacos enregelados de frio que contemplam de uma árvore doente o horizonte, são princesas que procuram você na escuridão, chorando, indagando as palavras que nunca poderão dizer"
Trecho do conto "Putas Assassinas", que dá nome ao livro de Roberto Bolaño
01 junho 2008
"Let's Dance", do David Bowie. Essa foi a música que mais tocou nas rádios norte-americanas, segundo a Billboard, no dia 18 de maio de 1983.
Agora clique aqui e saiba qual foi a #1 no dia em que você nasceu!
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