quando pensei em você pela primeira vez eu estava no banheiro. me escorava nos azulejos brancos, pisava a água suja empoçada, sentia o fedor insuportável enquanto ouvia o jorro amarelo bater com raiva nas latas de cerveja jogadas dentro do vaso. ali você era a mais suja de todas e eu vomitei.
então me dei conta de que além de suja você só dizia a verdade e decidi não escutar mais. me escondi no interior dos problemas, fiz questão de não dar nenhuma resposta clara e elaborei perguntas difíceis. você se safou argumentando sobre meu egoísmo.
no terceiro ato deste drama no qual nos inscrevemos como protagonistas, você se lançou numa cruzada contra a verdade. recluso, decidi não contestar e de longe mirei seus passos decididos pela vingança.
foi embora o tempo em que nos abraçávamos nos telhados, quando a solidão era um medo distante e sabíamos exatamente o que dizer nos momentos em que palavras não eram necessárias.
04 novembro 2006
22 outubro 2006
você virou sobre a mesa as cartas e elas disseram que eu só te faço mal. depois me deixou com as mentiras e saiu pelos bares carregando a cruz da vingança.
05 outubro 2006
"Usar marcas globais e suas estratégias para posicionamentos contra-econômicos". Esta é a ideologia dominante no grupo dinarmaquês Superflex. Eles decidiram aplicar em produtos analógicos, bebidas, por exemplo, o conceito e as práticas da cultura livre e de "alguns direitos reservados", pensamento originado da licença Creative Commons.
O Superflex primeiro criou uma cerveja liberada para cópia, embalagem e reprodução, agora foi mais longe e junto com produtores de guaraná da floresta amazônica produziu e lançou o Guaraná Power. Eles reclamam o uso das características genuínas da semente de guaraná, isto é, como um tônico natural e não apenas como um símbolo publicitário. Como forma de ativismo político anti-corporação reuniram os produtores da região para pensar em formas de combater o monopólio da fabricação de refrigerante derivado da semente. O fato de os produtores venderem as sementes apenas para uma empresa fez os preços da matéria-prima despencarem de 25 dólares para 4 dólares em quatro anos.
O Superflex acabou usando o Guaraná Power como obra de arte, inscrevendo o projeto em diversas bienais internacionais. Na Bienal de Arte de São Paulo o trabalho foi recusado pela Fundaçaõ Bienal após ser selecionado pelos curadores. A direção acatou um posicionamento do departamento jurídico da entidade, desconfiada e receosa de futuros problemas na justiça acarretados pelo uso da marca guaraná. Agora o grupo lançou um manifesto disponível na página do Guaraná Power.
Sítio do Superflex.
Sítio do Guaraná Power.
O Superflex primeiro criou uma cerveja liberada para cópia, embalagem e reprodução, agora foi mais longe e junto com produtores de guaraná da floresta amazônica produziu e lançou o Guaraná Power. Eles reclamam o uso das características genuínas da semente de guaraná, isto é, como um tônico natural e não apenas como um símbolo publicitário. Como forma de ativismo político anti-corporação reuniram os produtores da região para pensar em formas de combater o monopólio da fabricação de refrigerante derivado da semente. O fato de os produtores venderem as sementes apenas para uma empresa fez os preços da matéria-prima despencarem de 25 dólares para 4 dólares em quatro anos.
O Superflex acabou usando o Guaraná Power como obra de arte, inscrevendo o projeto em diversas bienais internacionais. Na Bienal de Arte de São Paulo o trabalho foi recusado pela Fundaçaõ Bienal após ser selecionado pelos curadores. A direção acatou um posicionamento do departamento jurídico da entidade, desconfiada e receosa de futuros problemas na justiça acarretados pelo uso da marca guaraná. Agora o grupo lançou um manifesto disponível na página do Guaraná Power.
Sítio do Superflex.
Sítio do Guaraná Power.
04 outubro 2006
se não mantenho nem aquela baixa média de atualizações é porque a vida anda me puxando para outros cantos e exigindo posturas "profissionais", nem por isso entediantes. hoje mesmo conheci Capuaba, em Vila Velha, e até entrevistei um secretário do governo estadual pelo telefone!
adrenalina!
adrenalina!
01 outubro 2006
metalinguagem
Em A insustentável leveza do ser, Milan Kundera escreve:
"(...)Como já disse, os personagens não nascem de um corpo materno como os seres vivos, mas de uma situação, uma frase, uma metáfora que contém em embrião uma possibilidade huamana fundamental que o autor imagina não ter sido ainda descoberta ou sobre a qual nada de essencial ainda foi dito.
Mas não se costuma dizer que o autor só pode falar de si mesmo?
Olhar o pátio, impotente, e não conseguir tomar uma decisão; ouvir o ruído obstinado do próprio ventre num momento de exaltação amorosa; trair e não saber parar na estrada tão bela das traições; erguer o punho no desfile da Grande Marcha; demonstrar humor diante dos microfones escondidos pela polícia: conheci e eu mesmo vivi todas essas situações; de nenhuma delas, no entanto, saiu o personagem que eu mesmo sou no meu curriculum vitae. Os personagens de meu romance são minhas próprias possibilidades que não foram realizadas. (...) O romace não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que é a vida humana na armadilha que se tornou o mundo."
"(...)Como já disse, os personagens não nascem de um corpo materno como os seres vivos, mas de uma situação, uma frase, uma metáfora que contém em embrião uma possibilidade huamana fundamental que o autor imagina não ter sido ainda descoberta ou sobre a qual nada de essencial ainda foi dito.
Mas não se costuma dizer que o autor só pode falar de si mesmo?
Olhar o pátio, impotente, e não conseguir tomar uma decisão; ouvir o ruído obstinado do próprio ventre num momento de exaltação amorosa; trair e não saber parar na estrada tão bela das traições; erguer o punho no desfile da Grande Marcha; demonstrar humor diante dos microfones escondidos pela polícia: conheci e eu mesmo vivi todas essas situações; de nenhuma delas, no entanto, saiu o personagem que eu mesmo sou no meu curriculum vitae. Os personagens de meu romance são minhas próprias possibilidades que não foram realizadas. (...) O romace não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que é a vida humana na armadilha que se tornou o mundo."
13 setembro 2006
ouvi dizer que no dia 15 de setembro, próxima sexta-feira, pela manhã, tem Trasversal e Rodrigo, Gustavo e Marcelo na Sinergia, Mostra de Audiovisual da UVV. Um dia antes acontece a última exibição pública (até que se prove o contrário!) do Não é só uma Passagem.
Ninguém sabe direito a lista de todos os vídeos selecionados, nem os diretores (eu, no caso) foram avisados. Isto porque a produção é falha, ao contrário do REC, da concorrente Faesa, impecavelmente organizado.
#1 E a Transborda? Eu, sinceramente, não entendi a aplicação de tão amplo conceito num festival. Alguém me explica como vai ser a seleção, por favor!
#2 Eu conheço um filme com borda de catupiry! Delícia!
#3 Qual a influência do Guy nestas coisas de borda? piada infame!
Ninguém sabe direito a lista de todos os vídeos selecionados, nem os diretores (eu, no caso) foram avisados. Isto porque a produção é falha, ao contrário do REC, da concorrente Faesa, impecavelmente organizado.
#1 E a Transborda? Eu, sinceramente, não entendi a aplicação de tão amplo conceito num festival. Alguém me explica como vai ser a seleção, por favor!
#2 Eu conheço um filme com borda de catupiry! Delícia!
#3 Qual a influência do Guy nestas coisas de borda? piada infame!
05 setembro 2006
tudo bem, eu nunca fui a Parati. cheguei a me inscrever para a oficina de jornalismo literário, mas minha viagem foi abortada. que era um festa esnobe eu já imaginava e amigos que foram reafirmaram. o marcelo mirisola, que eu não sei direito quem é, mas cujo nome eu já tinha ouvido em alguma conversa com a mara coradello, também foi à flip e, sarcasticamente, detonou o evento. enviado pelo zero hora para cobrir a "festa pobre", seu texto acabou rejeitado e, posteriormente, postado neste blog bem legal do mário bortolotto. transcrevo um pedacinho:
"Agora estou aqui nessa cidadezinha de merda,cercado por chiliques nacionais e internacionais,pela paisagem sonífera que encantou Debret,e pedras a judiar dos meus ligamentos;ladeado por escritores "engajados"... (me pergunto: "engajados no quê? Na chatice?") e - evidentemente - atrás de uma maria-rodapé pra comer acompanhada com feijão grosso e costelinha de porco." (tudo)
"Agora estou aqui nessa cidadezinha de merda,cercado por chiliques nacionais e internacionais,pela paisagem sonífera que encantou Debret,e pedras a judiar dos meus ligamentos;ladeado por escritores "engajados"... (me pergunto: "engajados no quê? Na chatice?") e - evidentemente - atrás de uma maria-rodapé pra comer acompanhada com feijão grosso e costelinha de porco." (tudo)
01 setembro 2006
cybershots
a câmera cybershot e a cultura videográfica. youtube por amostragem!
#1 Hello Kitty numa roda de capoeira: "samba hello kitty!" é intervenção urbana da mais pura linhagem: instantânea, surreal e divertida! site relacionado: culundriarmada.
p.s.: garimpagem do erly!
#2 Compre na Mercearia da Esquina inaugurou um gênero: pobre porco e morte ao porco.
#1 Hello Kitty numa roda de capoeira: "samba hello kitty!" é intervenção urbana da mais pura linhagem: instantânea, surreal e divertida! site relacionado: culundriarmada.
p.s.: garimpagem do erly!
#2 Compre na Mercearia da Esquina inaugurou um gênero: pobre porco e morte ao porco.
há muito tempo não acontecia. alguns anos atrás, quando a mãe ainda servia seu prato no almoço, era comum deixar a mesa de repente e correr para a frente de casa. ficava ali, porta aberta, parado embaixo do alizar, a varanda à sua frente, do outro lado da grade a rua. e chegava a tempo de vê-la subir pela calçada oposta: os dedos da mão esquerda firmes entre os nós do pano de cozinha branco, o cabelo negro e solto, o quadril alternando como um pêndulo, o mesmo movimento que ele buscaria nas mulheres de todas as outras ruas das cidades pelas quais passou.
ela subia levando aqueles dois pratos de porcelana branca envoltos em pano branco e vestia sempre preto, saia e blusa. o marido, o irmão, o pai, o filho. alguém a esperava subir ladeira tão íngreme, uma destas figuras masculinas que, é certo, teriam a impaciência agravada pela fome. um homem que merecia dedicação de mulher, irmã, filha, mãe.
estático, ele esquecia de comer. vinham da mesa da sala de jantar os gritos pacientes da mãe e, ante o primeiro ruído de arrasto no assoalho da cadeira de cabeçeira do pai, respondia que estava voltando. teria ainda alguns segundos até que a perdesse de vista. na porta, na hora do almoço de todos os dias úteis, ele não queria mais a ordem da casa.
agora ele lembra. agora que é escravo de uma janela por onde vê passar o mesmo balanço em mulher outra. para alcançá-la será preciso arredar os móveis, remover os vasos de flores que tomam o sol da manhã na janela, pegar algum impulso e cair tropeçando naquele sapo de jardim.
ela subia levando aqueles dois pratos de porcelana branca envoltos em pano branco e vestia sempre preto, saia e blusa. o marido, o irmão, o pai, o filho. alguém a esperava subir ladeira tão íngreme, uma destas figuras masculinas que, é certo, teriam a impaciência agravada pela fome. um homem que merecia dedicação de mulher, irmã, filha, mãe.
estático, ele esquecia de comer. vinham da mesa da sala de jantar os gritos pacientes da mãe e, ante o primeiro ruído de arrasto no assoalho da cadeira de cabeçeira do pai, respondia que estava voltando. teria ainda alguns segundos até que a perdesse de vista. na porta, na hora do almoço de todos os dias úteis, ele não queria mais a ordem da casa.
agora ele lembra. agora que é escravo de uma janela por onde vê passar o mesmo balanço em mulher outra. para alcançá-la será preciso arredar os móveis, remover os vasos de flores que tomam o sol da manhã na janela, pegar algum impulso e cair tropeçando naquele sapo de jardim.
30 agosto 2006
intromissão
Um artigo para o Século Diário.
Da Sedução ao Caos.
Há algum tempo, sem pressa, venho lendo A Sedução do Lugar, de Joseph Rykwert, um apanhado de dados históricos e conceituais sobre A história e o futuro da cidade, como indica seu subtítulo. (continua)
Da Sedução ao Caos.
Há algum tempo, sem pressa, venho lendo A Sedução do Lugar, de Joseph Rykwert, um apanhado de dados históricos e conceituais sobre A história e o futuro da cidade, como indica seu subtítulo. (continua)
23 agosto 2006
o que ficou foi um sorriso debaixo da luz amarela do saguão do cinema. o filme passou como se eu já o tivesse visto e o ineditismo ficou por conta da sua presença, marcada em minha memória com a riqueza de detalhes de um close up. revisitei sua imagem em flashbacks durante as duas arrastadas horas de projeção e cada fotograma descrevia seus movimentos desde o sorriso até o momento em que você tomou seu lugar na sala já escura.
fiquei procurando sua silhueta e tudo o que vi foram malditas cabeças femininas apoiadas em ombros inconvenientes nesta sessão água com açúcar. fiquei sentado enquanto acendiam as luzes. os créditos ainda escalavam a tela até sumirem no carpete escuro quando você se levantou. imaginei você desenhada em gestos e cores numa sequência de Wong Kar Wai, passando por mim displicente, de vestido listrado e luvas negras. então notei que a sessão que exibiu seu sorriso havia acabado e eu veria em todos os filmes que assistisse de hoje em diante as duas cenas que montei com você.
fiquei procurando sua silhueta e tudo o que vi foram malditas cabeças femininas apoiadas em ombros inconvenientes nesta sessão água com açúcar. fiquei sentado enquanto acendiam as luzes. os créditos ainda escalavam a tela até sumirem no carpete escuro quando você se levantou. imaginei você desenhada em gestos e cores numa sequência de Wong Kar Wai, passando por mim displicente, de vestido listrado e luvas negras. então notei que a sessão que exibiu seu sorriso havia acabado e eu veria em todos os filmes que assistisse de hoje em diante as duas cenas que montei com você.
20 agosto 2006
Depois de vencer no 12º Vitória Cine Video, prêmio do júri popular, e no Festival Internacional de Curtas de BH deste ano, melhor curta brasileiro - prêmio da crítica e melhor ator brasileiro, No Princípio era o Verbo, ficção em 35mm de Virgínia Jorge, conquistou três kikitos no Festival de Gramado. O curta foi premiado nas categorias Prêmio Especial do Júri, Melhor Roteiro e Prêmio Canal Brasil.
Vejo que meu candidato no útlimo VCV honrou seus compromissos de campanha. Despretensioso e singelo, o curta vai na contramão do cinema feito aqui (Espírito Santo, Brasil).
Fazendo as contas, No Princípio era o Verbo está entre os mais premiados curtas capixabas de todos os tempos. Baseado em Histórias Reais (2002), de Gustavo Moraes, com 12 prêmios, Portinholas (2003), do Projeto Animação, com 7, Macabéia (2000), de Erly Vieira Jr., Lizandro Nunes e Virgínia Jorge, com 6, e Graúna Barroca (1990), vídeo-arte de Ronaldo Barbosa, também com 6, completam o top cinco dos filmes mais premiados deste Espírito Santo.
Vejo que meu candidato no útlimo VCV honrou seus compromissos de campanha. Despretensioso e singelo, o curta vai na contramão do cinema feito aqui (Espírito Santo, Brasil).
Fazendo as contas, No Princípio era o Verbo está entre os mais premiados curtas capixabas de todos os tempos. Baseado em Histórias Reais (2002), de Gustavo Moraes, com 12 prêmios, Portinholas (2003), do Projeto Animação, com 7, Macabéia (2000), de Erly Vieira Jr., Lizandro Nunes e Virgínia Jorge, com 6, e Graúna Barroca (1990), vídeo-arte de Ronaldo Barbosa, também com 6, completam o top cinco dos filmes mais premiados deste Espírito Santo.
17 agosto 2006
Depois de fundarmos (nós, sujeito oculto de quatro amigos bêbados) a Tentilhão Produções, passamos à criação de uma identidade visual para esta sanguinolenta produtora.
Sanguinolenta porque inspirada no mais cruel dos animais destas e daquelas paragens, o Tentilhão Vampiro. Ele que desde épocas darwinianas habita as Ilhas Galápagos se alimentando do sangue de pelicanos indefesos é o responsável por importantes descobertas científicas, já que graças a seus pares foi possível traçar a linha evolutiva das espécies que habitam este planeta, além de ter ajudado a alimentar teorias sociais fajutas, como o darwinismo social.
Buscando aqui e ali um designer de traços arrojados e consciência social aguçada, nos deparamos com a obra inquietante de Julio Cezar, 13 anos, habitante da Praia da Costa, fã de tudo que é japonês e irmão do Rodrigo Melo. Talento em progresso do audiovisual capixaba, em plena adolescência já possui um dos currículos fílmicos mais extensos da margem direita do valão de Vila Velha, com nada menos do que 60 animações. A violência é tema recorrente em sua obra. Doidera e Stealth Kill, dois de seus trabalhos mais recentes, estão disponíveis na grande rede. Em Stealth Kill o diretor abusa do uso das cores em cenários bem trabalhados e se esmera na construção psicológica dos personagens, enquanto em Doidera experimenta os movimentos de câmera em animações 2D e elabora um roteiro repleto de reviravoltas.
Impressionados com a força destas imagens, tomamos imediatamente todas as providências para a contratação deste jovem cineasta e confiamos a ele a responsabilidade pela criação da logomarca da Tentilhão. A negociação, mediada pelo seu irmão e empresário, durou cerca de 5 minutos e terminou com a promessa de um adiantamento de duas bolas sabor morango. Além disso, traçamos via msn o futuro cinematográfico de Julio Cezar e vislumbramos seu sucesso em festivais.
Sanguinolenta porque inspirada no mais cruel dos animais destas e daquelas paragens, o Tentilhão Vampiro. Ele que desde épocas darwinianas habita as Ilhas Galápagos se alimentando do sangue de pelicanos indefesos é o responsável por importantes descobertas científicas, já que graças a seus pares foi possível traçar a linha evolutiva das espécies que habitam este planeta, além de ter ajudado a alimentar teorias sociais fajutas, como o darwinismo social.
Buscando aqui e ali um designer de traços arrojados e consciência social aguçada, nos deparamos com a obra inquietante de Julio Cezar, 13 anos, habitante da Praia da Costa, fã de tudo que é japonês e irmão do Rodrigo Melo. Talento em progresso do audiovisual capixaba, em plena adolescência já possui um dos currículos fílmicos mais extensos da margem direita do valão de Vila Velha, com nada menos do que 60 animações. A violência é tema recorrente em sua obra. Doidera e Stealth Kill, dois de seus trabalhos mais recentes, estão disponíveis na grande rede. Em Stealth Kill o diretor abusa do uso das cores em cenários bem trabalhados e se esmera na construção psicológica dos personagens, enquanto em Doidera experimenta os movimentos de câmera em animações 2D e elabora um roteiro repleto de reviravoltas.
Impressionados com a força destas imagens, tomamos imediatamente todas as providências para a contratação deste jovem cineasta e confiamos a ele a responsabilidade pela criação da logomarca da Tentilhão. A negociação, mediada pelo seu irmão e empresário, durou cerca de 5 minutos e terminou com a promessa de um adiantamento de duas bolas sabor morango. Além disso, traçamos via msn o futuro cinematográfico de Julio Cezar e vislumbramos seu sucesso em festivais.
14 agosto 2006
Reta
Casa. Caminho. Objeto de estudo. Trabalho. Uma avenida e seus desdobramentos. Vida. Espaço. Algumas lembranças, modos de olhar e projeções para um futuro não muito distante.
Transversal. Doc. 13 min. dia 17. próxima quinta-feira. 19h. REC. Faesa.
Documentário que ganhou alma na ilha de edição, apesar do pouco tempo e do pouco espaço no hd para editarmos.
(#1) Ainda tem Rodrigo, Gustavo e Marcelo, Não é só uma passagem e O Beijo de Amanda, na quarta-feira.
Transversal. Doc. 13 min. dia 17. próxima quinta-feira. 19h. REC. Faesa.
Documentário que ganhou alma na ilha de edição, apesar do pouco tempo e do pouco espaço no hd para editarmos.
(#1) Ainda tem Rodrigo, Gustavo e Marcelo, Não é só uma passagem e O Beijo de Amanda, na quarta-feira.
28 julho 2006
Desde o advento da música pop, numa freqüência que cresce em progressão geométrica, os ingleses se divertem lançando discos destinados a movimentar o mais frio roqueiro do ocidente. Deve ser por isso que eu escuto Lilly Allen pulando pela casa, com um sorriso de quem se diverte ouvindo as histórias ocas de uma adolescente igual a tantas por aí. O irmão mais novo fumando no quarto e as baladas nos clubes vêm embrulhados em batidas empolgantes e samples bem montados. Citações de bossa nova, dance e reggae se encaixam em bases brincalhonas e dão forma à voz da menina.
Pulo e me sinto estranhamente próximo de britney spears, beyoncé e tantas outras. Ah, o mundo da música pop dá voltas!
Pulo e me sinto estranhamente próximo de britney spears, beyoncé e tantas outras. Ah, o mundo da música pop dá voltas!
24 julho 2006
tenho tentado não encontrar entrelinhas numa pequena tragédia acontecida semana passada no meu quarto. minha mãe não pode saber, mas a miniatura de jornalista que foi presente dela no dia da colação de grau teve seu impassível papel de enfeite de prateleira seriamente abalado. henry miller, truman capote, joseph mitchell, beatriz sarlo e italo calvino acharam por bem empurrar dali do alto o deslocado senhor de câmera fotográfica a tira-colo, que terminou tendo a cabeça decepada na queda.
ainda não fiz nenhum esforço para colocar a cabeça no lugar. a dele e a minha.
ainda não fiz nenhum esforço para colocar a cabeça no lugar. a dele e a minha.
19 julho 2006
dedicatória
se naquela noite, você, ao invés de negar insistentemente, apenas me beijasse, estaríamos agora assistindo filme juntos. os pés debaixo da coberta. e eu teria te poupado todo o sofrimento da morte e a angústia da vida. seríamos ainda os mesmos, que bebiam cerveja toda noite depois do expediente e faziam o trajeto de volta para casa se espremendo nos muros. você ainda subiria no meio fio para me beijar e eu pronunciaria seu nome em tom de orgasmo.
se, nos dias que se seguiram, eu deixasse meu orgulho de lado, você moraria comigo, teria um filho meu e me pouparia a energia gasta em escrever algumas linhas lamentando a mediocridade do meu cotidiano sem você.
se, nos dias que se seguiram, eu deixasse meu orgulho de lado, você moraria comigo, teria um filho meu e me pouparia a energia gasta em escrever algumas linhas lamentando a mediocridade do meu cotidiano sem você.
14 julho 2006
Patrícios
Leiam o que a al jazeera, o canal de tv, diz sobre os ataques de Israel ao Líbano.
Para entender o ponto de vista dos oprimidos, visitem o al jazira, em jucutuquara, o único bar, eu disse bar, árabe de vitória e conversem com o Said Ghraize.
Para entender o ponto de vista dos oprimidos, visitem o al jazira, em jucutuquara, o único bar, eu disse bar, árabe de vitória e conversem com o Said Ghraize.
aqui, de onde escrevo, não importa quantas vezes se chegue, as pessoas não lembrarão de você na próxima visita. e, porque não te conhecem, receberá o tratamento oferecido aos forasteiros. o olhar inquisidor, a desconfiança, o comentário malicioso.
daqui só é possível sair uma vez na vida, num dia ou noite em que se descobre o mundo e a inquietação se torna tão grande que é possível romper as amarras, dar adeus à mãe, deixar os amigos e aprender a contar até o infinito.
e por mais que se afaste, o fantasma deste lugar continua vagando e você vai pensar em voltar algumas vezes.
daqui só é possível sair uma vez na vida, num dia ou noite em que se descobre o mundo e a inquietação se torna tão grande que é possível romper as amarras, dar adeus à mãe, deixar os amigos e aprender a contar até o infinito.
e por mais que se afaste, o fantasma deste lugar continua vagando e você vai pensar em voltar algumas vezes.
10 julho 2006
Havia em Jardim da Penha, na Rua Eugenílio Ramos, um restaurante numa casa de pedra chamado Azzurra. Mudaram o nome do lugar há uns poucos meses, talvez quatro. Ficou sendo Bola Brasil. É verdade que eu nunca vi movimento ali, sempre que passava na porta estava vazio. Agora me pego tentando explicar a mudança de nome. Talvez sobre o dono, um italiano, óbvio, tenha caído a saudosa lembrança de sua terra e o desejo silencioso, porém implacável, de pisar novamente o chão que ele só aprendeu a amar quando estava distante, denominador comum de todos os imigrantes. Mudando o dono, muda-se o nome. Também pode, o dono, seja ele brasileiro, italiano ou chinês, ter deixado de lado as belas massas em prol de uma cozinha genuinamente brasileira.
Admitiria estas hipóteses se não estivéssemos em meados de 2006. É certo que mudaram o nome para atrair, em tempos de copa do mundo, a fatia dos clientes patriotas, que alguma pesquisa de mercado esperta soube identificar. Além disso, a seleção italiana não ganhava uma copa há 24 anos! Uma péssima estratégia de marketing seria deixar com este nome um restaurante que, pretendia-se, de sucesso.
Mas, vieram os jogos e não os clientes. O título foi para a Azzurra. E bola e Brasil se mostraram uma péssima combinação.
Admitiria estas hipóteses se não estivéssemos em meados de 2006. É certo que mudaram o nome para atrair, em tempos de copa do mundo, a fatia dos clientes patriotas, que alguma pesquisa de mercado esperta soube identificar. Além disso, a seleção italiana não ganhava uma copa há 24 anos! Uma péssima estratégia de marketing seria deixar com este nome um restaurante que, pretendia-se, de sucesso.
Mas, vieram os jogos e não os clientes. O título foi para a Azzurra. E bola e Brasil se mostraram uma péssima combinação.
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