11 abril 2010
25 março 2010
21 março 2010
o que havia lhe chamado a atenção eram as pernas. tinha um banco verde de madeira na mesma praça. as pernas no banco, ou as pernas fora do banco, quase maiores que o banco. as pernas. decidiu escrever sobre elas, mas logo pensou que era um erro: nunca esse tipo de coisa provocou seu interesse ou literatura. depois houve o branco, o banco branco, onde tudo se confundia como numa aliteração. e assim as noites se seguiram, e nelas ele os bancos e as pernas.
já pelo final, largada na última linha de uma carta: "para um porvir totalmente incerto", a sentença que parou de ser frase e virou destino.
15 março 2010
12 março 2010
o caso do fusca
E foram essas as testemunhas de uma de suas grandes façanhas. Conta-se que era mau pagador - e aqui apenas relato o que está grafado eternamente na memória dos homens do lugar, baú onde repousam as histórias que andaram por anos sendo moldadas no calçamento irregular das ruas e me foram narradas durante um café numa de suas esquinas. Era, portanto, mau pagador e havia comprado a prazo uma bateria para o seu Fusca branco 73.
Difícil seria não esbarrar com o credor no meio da rua e foi o que aconteceu certo dia e na frente dos amigos. Cobrado, reagiu friamente e com incrível desapego. Ninguém entendeu quando assumiu a dívida e falou pode tirar a bateria lá do carro. Meio atordoado mas disposto a se mostrar valente, foi o cidadão simples retomar o produto da discórdia. E ali, futucando no capô do fusquinha, foi abordado por uma dupla de policiais que não acreditaram em nenhum dos argumentos de defesa daquele pobre acusado de roubar o veículo do ilustríssimo senhor doutor Eros.
27 fevereiro 2010
Um dia desenhei meu desejo em quadrinhos, um preto e branco com quase nada de tons de cinza dispostos em sequência numa página A4. Começava mais ou menos assim: a imagem de uma música, a letra, na sua camiseta branca, o enquadramento fechado, logo seu rosto em close e depois o ambiente, aquela festa sem graça na qual me diverti tentando descobrir seu sotaque. Agora você zomba do meu, mistura de tantas falas de tantos lugares e um leve acento nos sons nasais, a arte de ser fanho ou coisa parecida. No meio da rua, te conto aquela piada da turma de amigos que queria entrar de graça numa festa e usou a artimanha de se anunciar como a “banda”. Os seguranças meio que acreditaram, até o último da fila, um fanho incorrigível, dizer que era o “antor”. Você ri, mas é só mais uma piada infame, daquelas de tio, que eu memorizei das festas de fim de ano da família. As festas de família, os jantares, as ceias de natal, a contagem regressiva do ano novo. Era nessas horas que eu mais sentia sua falta, quando não havia onde se esconder da solidão tremenda, nem o refúgio dos livros ou da música alta, das drogas leves ou das bebidas pesadas. E agora você na minha frente, eu sem saber como dizer. Vou pra casa e escrevo esse maldito texto infantil com referência a quadrinhos.
08 junho 2009
13 maio 2009
"Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão" (João 16:13)
Era uma figura negra, bem negra, de chinelos, boné, calça de tecido e camisa abotoada. Às 13h, quando o vi, era apenas esse, sentado no meio-fio quase na portaria do jornal. Usava óculos e tinha o semblante sereno.
Seis horas depois, era o mesmo homem do outro lado da rua, quieto como antes. O segurança não sabia o que ele fazia ali durante todo esse tempo. Perguntei o que ele queria. Vi que no boné estava escrito Senegal e ouvi palavras enroladas, uma mistura de português, francês e inglês.
Vinha anunciar o Apocalipse, ele me contou, e queria falar com alguém da televisão e que se o fim do mundo não viesse, ele morreria.
Era senegalês, morava no Brasil há quatro meses, onde chegou de avião. Seu nome era Abraão. Depois ele me apontou a palavra Espírito Santo e balbuciou algo como "justiça" (Futura sede da Justiça Federal no Espírito Santo é o que está escrito nos tapumes em frente à sede da Rede Gazeta).
Perguntei se ele estaria ali amanhã e ele não quis dizer mais nada. Pediu que eu lesse o Evangelho de São João (16:13) e o livro do profeta Ezequiel, que começa assim: "No trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, quando me encontrava entre os deportados, às margens do Rio Cobar, abriram-se os céus e contemplei visões divinas".
Já em João 16:8 está escrito: "E, quando ele (o Paráclito) vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo". Paráclito: palavra grega muitas vezes traduzida como "consolador", mas que signifca realmente auxílio, intercessor.
25 fevereiro 2009
quarta-feira de cinzas
27 janeiro 2009
19 janeiro 2009
16 janeiro 2009
06 janeiro 2009
04 janeiro 2009
#1 E o Cochicho está fechado desde antes do Natal. Olha a mensagem na comunidade do orkut: "Comunicamos aos amigos, clientes e afins que por motivos biológicos entraremos em férias coletiva no período de 22/12/2008 a 07/01/2009. Retornaremos as atividades no dia 08/01/2009 impreterivelmente as 17 horas. A todos um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo!! Geraldo e Conceição,Cochicho da Penha.".
#2 Que diabos são "motivos biológicos"? Será que Seu Geraldo é o Papai Noel ou simplesmente a família não confia em mais ninguém pra tomar conta do botequim?
24 dezembro 2008
_hello!
a primeira ligação telefônica (afetiva) internacional. é tempo de desejar um cínico feliz natal. cínico porque não há natal feliz se você tem que fazer um ddi afetivo.
22 dezembro 2008
não sei se fui legal o suficiente pra retribuir tudo o que ele fez por mim, mineiro acostumado a esses favores tão simples, mas relativamente custosos, como dar carona às seis da manhã de um sábado para a estação ferroviária. sei que durante um tempo ele ocupou um quarto vago daqui de casa com sua ilha de edição, tendo a chave do apartamento (e isso é uma prova de confiança incontestável para qualquer taurino).
todos os grandes amigos estão de saída. fica minha saudade, um desejo de que as coisas dêem certo e a certeza de que, entre todos, o igor faz o que poucos de nós, os outros e medíocres, tivemos coragem de fazer, em menor ou maior escala: apostar todas as fichas naquilo que ama.
12 dezembro 2008
Hermes e Renato no auge! Charlinho Style!
05 dezembro 2008
14 novembro 2008
Eli Paperboy Reed: ele pensa que é o Otis Redding do século XXI
Russian Red: em verdade vos digo que gosto mais das fotos da moça madrileña
Emiliana Torrini: músicas lindinhas e ora inventivas, ótimas ambientações instrumentais criadas por essa islandesa, principalmente o disco Me and Armini.
Los Álamos: gaitas de blues, banjo folk e uma levada country se encontram em Buenos Aires com um lamento vocal e guitarras etéreas no sensacional El Fino Arte de la Venganza.
Maria Bethânia: o disco de 1972, com Iansã, Trampolim e Volta por Cima é fundamental (perdi o link que baixei, droga!).

