o artista. enquanto devora seu yakisoba ele regurgita frases ensaiadas, ouvidas antes pelos seus amigos em conversas de mesa de bar. se não tem amigos, o que é possível, ensaiou em voz alta debruçado na ilha de edição. a falação se encadeia tão bem, cada palavra em seu devido lugar, nem parece que discursa quem se irritou cinco minutos antes e foi servir seu prato deixando no ar a dúvida do seu retorno. enquanto fala insiste em não olhar quem pergunta, mira o movimento que passa pela porta de vidro do restaurante japonês.
do pedestal erguido para a campanha de sua auto-promoção, ele atribui muito valor ao que fala. sugere uma, duas, três pautas para serem fiéis à complexidade de suas colocações. completa a série revelando sua cruzada solitária contra os costumes limpos da classe dominante. porque artista de fato critica, radicaliza, incomoda e, sempre, é perseguido sem direito a defesa.
e o chilique, claro. a defesa natural quando estão se aproximando do cerne da questão. o desfecho óbvio, como num roteiro construído sem surpresas.
30 maio 2006
16 maio 2006
Compre no CCBB
Por mais que os diretores insistam em negar sua pretensão videográfica, Compre na Mercearia da Esquina teima em ser selecionado para os festivais nacionais. Hoje saiu a lista da Mostra Competitiva do 11º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que acontece no início de junho (03 a 11) no Centro Cultural do Banco do Brasil e no Centro Cultural dos Correios.
Dos 226 inscritos, 54 entraram na competição! Em breve, mais detalhes.
Dos 226 inscritos, 54 entraram na competição! Em breve, mais detalhes.
08 maio 2006
O Carapuceiro é o blog do xico sá, o das melhores colunas de futebol, às sextas na folha de são paulo. também o da última página da Bravo! (ainda é? eu parei de ler porque a revista, puxa vida, ficou uma merda muito cara!).
29 abril 2006
pixcodelics
argumento de desenho animado da televisão por assinatura no sexto ano do século XXI: vilão sedento por dominar a humanidade distribui para adolescentes mp3 player hipnótico. Grupo de amigos deve evitar o domínio das mentes pelo mal, uma de suas armas é o joystick cinético.
Em comparação com os desenhos do século passado só uma coisa não muda, no final o bem ainda vence.
Matéria do Uol.
Site do desenho.
Em comparação com os desenhos do século passado só uma coisa não muda, no final o bem ainda vence.
Matéria do Uol.
Site do desenho.
25 abril 2006
Assistiram à rodada do Campeonato Brasileiro no final de semana? Eu vi o segundo tempo de Ponte Preta e Vasco e foi o primeiro contato com o novo layout das partidas de futebol da Globo.
Prefiro o antigo, que ocupava menos espaço na tela, era claro e bastante visível. No novo modelo, o nome dos times e o tempo cronometrado ocupam um espaço enorme da parte superior esquerda da tela. Além disso, um gol é motivo para que apareça na parte inferior esquerda o nome do jogador que marcou e ainda escrevam, por cima do nome, a palavra GOOOL, com alguns "os" a mais. É redundante! Precisa escrever? Não bastam a imagem e a narração?
Depois de uma boa fase de inovações na transmissão de partidas de futebol trazendo para a televisão aberta cacoetes de videogame, como o círculo que determina o posicionamento correto da barreira e a seta que mede a distância da bola parada até a meta, a Globo dá um passo em falso justamente no quesito no qual teria tudo para ser bem sucedida.
Prefiro o antigo, que ocupava menos espaço na tela, era claro e bastante visível. No novo modelo, o nome dos times e o tempo cronometrado ocupam um espaço enorme da parte superior esquerda da tela. Além disso, um gol é motivo para que apareça na parte inferior esquerda o nome do jogador que marcou e ainda escrevam, por cima do nome, a palavra GOOOL, com alguns "os" a mais. É redundante! Precisa escrever? Não bastam a imagem e a narração?
Depois de uma boa fase de inovações na transmissão de partidas de futebol trazendo para a televisão aberta cacoetes de videogame, como o círculo que determina o posicionamento correto da barreira e a seta que mede a distância da bola parada até a meta, a Globo dá um passo em falso justamente no quesito no qual teria tudo para ser bem sucedida.
20 abril 2006
gente, ele tem um blog
tudo bem que ele fique com garotas por aí. ou que ele seja editor e eu nem jornalista ainda. acho que perdoaria até se ele fizesse um vídeo com outro qualquer. mas ele fez um blog e nem me falou nada! me deixou saber pela boca do orkut!
Pronto-Parágrafo
agora ele vai entender o que é ter os comments zoados!
Pronto-Parágrafo
agora ele vai entender o que é ter os comments zoados!
Andei a tarde toda pelas ruas asfaltadas do meu bairro juntando galhos secos de árvores escassas. Arranquei duas ou três folhas do mês de dezembro da minha agenda. Pedi emprestado ao porteiro do prédio seu isqueiro bic amarelo. Abri a porta do meu guarda-roupa e escolhi a blusa de malha branca com estampa do Belle and Sebastian. Aquela que você usava para dormir quando já era tarde demais para ir embora. Depois de jogar da varanda as cinzas do que me lembrava você, decidi que era hora de apagar minha memória.
19 abril 2006
sangue
Mustangue Cor de Sangue faz revival no bar mais underground de Vitória! Música brasileira, preferencialmente!
foi tão logo você me deixou. saí procurando o que abraçar. pensei há quanto tempo eu só sentia o gosto da sua pele e só sabia da textura engraçada do seu cabelo. meus braços cruzados tinham a forma do seu corpo, nada mais se encaixava. pensei em todos os xingamentos da língua e queria que estivesse ao meu lado para não precisar recitá-los em voz alta no meio da rua. eu nunca falei palavrões pra você.
também não conjuguei o verbo amar. mas isso não demorou você percebeu. tanto que foi embora. sei que espera que eu esteja no mesmo lugar, com o mesmo vento sul levantando meu cabelo, quando você chegar. e eu vou estar. a vida foi suspensa quando seu ônibus partiu. confesso que procurei um lenço para balançar, um chápeu de feltro cinza para acenar, mas você não olhou pela janela. gosto de imaginar que o ônibus quebrou na estrada e você ainda não chegou ao seu destino. é por isso que demora tanto a voltar.
também não conjuguei o verbo amar. mas isso não demorou você percebeu. tanto que foi embora. sei que espera que eu esteja no mesmo lugar, com o mesmo vento sul levantando meu cabelo, quando você chegar. e eu vou estar. a vida foi suspensa quando seu ônibus partiu. confesso que procurei um lenço para balançar, um chápeu de feltro cinza para acenar, mas você não olhou pela janela. gosto de imaginar que o ônibus quebrou na estrada e você ainda não chegou ao seu destino. é por isso que demora tanto a voltar.
14 abril 2006
hoje mais um prédio da minha rua ganhou cerca elétrica.
28 março 2006
não saberia ter prazer com outro. ela me disse, ainda ofegante, enquanto me apertava forte. na hora eu duvidei, preocupado. deitei ao seu lado e disse que não podia ser verdade e se fosse verdade não era boa coisa. eu não podia retribuir tamanha fidelidade, na verdade eu queria comer todas as mulheres que eu conhecia, a maioria das amigas dela até. mas isso eu não poderia dizer e falei que eu não iria ser o único homem na vida dela ainda que quisesse. e a partir daí ela se dedicou de modo inacreditável para que a minha mais sincera sugestão se tornasse certeza.
e nem as amigas dela. nem a terapia que venho sofrendo há meses. nem estes comprimidos azuis que me custam dinheiro e vergonha. nada me desperta do eterno sono no qual ela me enclausurou.
e nem as amigas dela. nem a terapia que venho sofrendo há meses. nem estes comprimidos azuis que me custam dinheiro e vergonha. nada me desperta do eterno sono no qual ela me enclausurou.
14 março 2006
hoje eu ouvi maria bethânia cantando teresinha, do chico. me lembrei de quando você cantou esta mesma música para mim, no ouvido, depois de duas cervejas sentados naquele bar. talvez este tenha sido o grande momento da minha vida no quesito declarações de amor, pelo menos eu pensei assim. naquela noite chuvosa entendi que eu era o terceiro e tinha chegado do nada, havia me deitado na sua cama e me instalado como um posseiro.
eu continuo sendo o terceiro, mas não o último. você encontrou o quarto, e nem o compositor havia pensando nesta hipótese. espero que a história seja um círculo e ele, o primeiro, levando para você um bicho de pelúcia. logo virá o segundo e te chamará de perdida. só aí, no final do ciclo, você se lembrará de mim e eu não te pedirei nada.
eu continuo sendo o terceiro, mas não o último. você encontrou o quarto, e nem o compositor havia pensando nesta hipótese. espero que a história seja um círculo e ele, o primeiro, levando para você um bicho de pelúcia. logo virá o segundo e te chamará de perdida. só aí, no final do ciclo, você se lembrará de mim e eu não te pedirei nada.
08 março 2006
Deixa tocar, ela dizia enquanto o telefone soava estridente. Sem culpa ignorava a campainha incansável e pedia que a abraçasse. E eu rangia os dentes ouvindo o toque repetitivo ressoar da sala até o oco da minha cabeça.
Agora, incansável, ligo todas as noites. E imagino o eco do telefone chamando pela sala vazia da casa dela e indo até o quarto onde ela sussurra as palavras que definem meu futuro no ouvido de outro.
Ainda me dói a cabeça a repetição exaustiva do toque do aparelho. (Onde eu deixei minha dentadura?)
Agora, incansável, ligo todas as noites. E imagino o eco do telefone chamando pela sala vazia da casa dela e indo até o quarto onde ela sussurra as palavras que definem meu futuro no ouvido de outro.
Ainda me dói a cabeça a repetição exaustiva do toque do aparelho. (Onde eu deixei minha dentadura?)
05 março 2006
a vida nublada. horizonte totalmente encoberto e trilha feita de barro da chuva que passou. sem enxergar não posso dar um passo à frente sequer. ainda não comecei a afundar. e é pior ter que se manter de pé e caminhando, quando seria fácil se esconder sob a terra. e lá não pensar na segurança do próximo passo, no calor de um colo ofegante, no sabor da fumaça no prato. queria poder fazer o caminho de volta, repetir todo o percurso atravessado e retornar à primeira hora do que agora me estremece. e isto seria menos amedrontador do que seguir em frente.
alguns, como peregrinos cientes do seu destino, seguem em frente apesar das dúvidas. e mesmo que peguem atalhos ainda assim continuam, enquanto eu aqui parado acredito que a única saída é pensar em como as coisas foram boas por algum tempo.
alguns, como peregrinos cientes do seu destino, seguem em frente apesar das dúvidas. e mesmo que peguem atalhos ainda assim continuam, enquanto eu aqui parado acredito que a única saída é pensar em como as coisas foram boas por algum tempo.
04 fevereiro 2006
Conhecer as pessoas é a melhor forma de gostar do lugar
Tive que voltar a Minas para me desintoxicar de mega redes de supermercado e sentir novamente o que são as mercearias da esquina. Vou contar um pouco delas.
Lá em Tiradentes a Mostra de Cinema se divide entre filmes na Tenda, armada na margem esquerda do rio que molha a cidade, filmes na Praça, onde se ouve rock ou blues vindos dos bares ao redor, oficinas espalhadas por aí, e debates no Centro Cultural, edifício charmoso com sala de imprensa, auditório, café, escada larga com sombras de arvóres e uma mercearia bem em frente.
Um sobrado antigo, duas portas altas de madeira, uma mesinha de bar, balcão, freezer, estufa, prateleiras com secos e molhados, enlatados e engarrafados, muitas pelas paredes, uma mesa de madeira com gavetas e atrás o dono, seu Bizuca.
Comprar ali é ser presenteado com uma prosa rica. Peça uma cerveja no ensolarado sábado a tarde ou compre uma garrafa de vinho tinto seco e um queijo minas na noite de domingo e seu Bizuca irá contar um pouco da sua história e da vida da cidade, ou de como os vinhos secos são melhores do que os suaves. Ele ainda fala da sua pousada, se orgulha da tranqüilidade de Tiradentes e recomenda as cachoeiras dos distritos próximo. O queijo é feito num sítio perto, ele está ali há uns 30 anos e os dias de carnaval dão muita confusão.
Tudo bem, seu Bizuca. Não virei no carnaval. Melhor aparecer uns dias antes, durante a Mostra!
Lá em Tiradentes a Mostra de Cinema se divide entre filmes na Tenda, armada na margem esquerda do rio que molha a cidade, filmes na Praça, onde se ouve rock ou blues vindos dos bares ao redor, oficinas espalhadas por aí, e debates no Centro Cultural, edifício charmoso com sala de imprensa, auditório, café, escada larga com sombras de arvóres e uma mercearia bem em frente.
Um sobrado antigo, duas portas altas de madeira, uma mesinha de bar, balcão, freezer, estufa, prateleiras com secos e molhados, enlatados e engarrafados, muitas pelas paredes, uma mesa de madeira com gavetas e atrás o dono, seu Bizuca.
Comprar ali é ser presenteado com uma prosa rica. Peça uma cerveja no ensolarado sábado a tarde ou compre uma garrafa de vinho tinto seco e um queijo minas na noite de domingo e seu Bizuca irá contar um pouco da sua história e da vida da cidade, ou de como os vinhos secos são melhores do que os suaves. Ele ainda fala da sua pousada, se orgulha da tranqüilidade de Tiradentes e recomenda as cachoeiras dos distritos próximo. O queijo é feito num sítio perto, ele está ali há uns 30 anos e os dias de carnaval dão muita confusão.
Tudo bem, seu Bizuca. Não virei no carnaval. Melhor aparecer uns dias antes, durante a Mostra!
25 janeiro 2006
Desde sexta-feira estou em Tiradentes. A Mostra de Cinema vai até sábado, mas deixo a cidade amanhã. Estou de jornalista do Século Diário, mas tenho gasto meu tempo passeando, já que a Mostra não me deu hospedagem nem alimentação. Cachoeiras, chafariz, rua de pedras irregulares, pontes, calor de dia, de noite frio e muitos curtas, vídeos e longas.
leiam um pouco mais aqui!
leiam um pouco mais aqui!
14 janeiro 2006
"Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair"
chico buarque me resume.
no alto a lua está cheia. as montanhas, cuidadosamente construídas, impedem meu destino. claustro. curto horizonte. corro para elas. corro contra o muro.
estouro contra ele a teimosia dos meus nervos. dedico à rígida escuridão a intensidade estéril dos meus movimentos. e caio algumas vezes.
escondo as feridas dos meus olhos. e sigo batendo.
queria agora a amplitude do mar e poder olhar, olhar mais do que o escuro vertical.
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair"
chico buarque me resume.
no alto a lua está cheia. as montanhas, cuidadosamente construídas, impedem meu destino. claustro. curto horizonte. corro para elas. corro contra o muro.
estouro contra ele a teimosia dos meus nervos. dedico à rígida escuridão a intensidade estéril dos meus movimentos. e caio algumas vezes.
escondo as feridas dos meus olhos. e sigo batendo.
queria agora a amplitude do mar e poder olhar, olhar mais do que o escuro vertical.
11 janeiro 2006
crítica
Reações Psicóticas é a coletânea de artigos do maluco Lester Bangs publicada pela Conrad. Esta aqui é a resenha escrita para o Século Diário.
10 janeiro 2006
telhados
e se eu caísse nesse fosso escuro, daqui até o chão recordaria seu cheiro e lá embaixo minhas costelas quebradas sentiriam seu toque. eu iria do céu ao inferno em dois segundos de queda livre e desesperada. então me amarro em suas pernas e deito olhando as antenas de tv. falo do silêncio, penso em desaparecer. ouço piazolla enquanto deixo o chocolate derreter nos dedos e depois nos seus lábios. deitamos a um palmo do chão. a um passo da queda. dentro do céu.
23 dezembro 2005
uma canção de amor e morte
e junto aos anjos de dezembro vem a morte. sorrateira e rápida, sua forma mais crua. anjos que vêm sem rosto, espalhando a brisa fria sob o céu cinza do fim. e o fim deveria ser digno de memória, nunca um cair inerte sob sedativos no quarto esquisito de um hospital.
acompanho aqueles que choram e negam qualquer possibilidade daqui em diante.
nada a fazer, apenas soluçar sobre o leito.
acompanho aqueles que choram e negam qualquer possibilidade daqui em diante.
nada a fazer, apenas soluçar sobre o leito.
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